O Kunstmuseum de Basileia retirou de exposição o Autorretrato com Óculos, tradicionalmente atribuído a Paul Gauguin, após receber informações que reacendem antigas dúvidas sobre a autenticidade da obra. A pintura, que teria sido feita em 1903 — ano da morte do artista nas Ilhas Marquesas —, voltou a ser investigada depois que o detetive amador Fabrice Fourmanoir compartilhou indícios que sugerem tratar-se, na verdade, de uma cópia realizada anos depois, possivelmente por alguém próximo a Gauguin.
Os questionamentos não são recentes: desde que surgiu no mercado europeu na década de 1920, o pequeno retrato de fundo azulado, medindo 41,4 x 23,5 cm, tem sido alvo de ceticismo. Os olhos azuis — em desacordo com a aparência do artista —, o nariz excessivamente retilíneo, a ausência de assinatura ou data e uma proveniência pouco clara alimentaram o debate, mesmo após sua inclusão no catálogo raisonné Wildenstein. Ao ser adquirido pelo colecionador suíço Karl Hoffmann, na Kunsthalle de Basileia em 1928, o quadro já era descrito como um “presumido autorretrato”.

Paul Gauguin, Auto-retrato com óculos, 1903. Kunstmuseum, Bâle.
© Foto Martin P. Bühler/Kunstmuseum Basel, Vermächtnis Dr. Karl Hoffmann.
A conservadora Eva Reifert, responsável pela arte do século XIX e arte moderna no Kunstmuseum, confirma que o museu está reavaliando a obra à luz dos novos dados. “A hipótese de que o quadro não seja de Gauguin já aparece nos primeiros documentos que recebemos sobre ele”, afirmou. “Há também especialistas que sustentam sua autenticidade, mas com as informações recentes, sentimos que é o momento de aprofundar essa análise.” O museu já mobilizou uma equipe para conduzir a investigação.


