Com foco nas relações entre tecnologia, clima e inteligência artificial, programa seleciona artistas de todo o país para imersão no Rio de Janeiro
O Museu do Amanhã anuncia a abertura das inscrições para a edição 2026 de sua residência artística, convocando artistas visuais de todo o Brasil a participarem de um programa que articula pesquisa, experimentação e debate contemporâneo. Com inscrições abertas até 15 de maio, o edital propõe, neste ano, o tema “Inteligências na era do calor”, eixo conceitual que parte do elemento fogo para refletir sobre sua dimensão ambivalente e suas ressonâncias no cenário tecnológico atual.
Sob curadoria de Lucas Albuquerque, a edição investiga o caráter acelerado e, por vezes, incendiário das novas tecnologias, aproximando discussões sobre fluxos de dados, inteligência artificial e as transformações nas relações entre o humano e o não-humano. A proposta se insere em um contexto mais amplo de urgência climática e saturação informacional, buscando compreender como esses vetores impactam a produção artística contemporânea e suas possibilidades de linguagem.
O programa, desenvolvido pelo Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA) e apresentado pelo Itaú, estrutura-se como um espaço de imersão que combina desenvolvimento de projetos, visitas a galerias e plataformas independentes, além de encontros regulares de discussão e troca entre os participantes. A residência prevê uma etapa online, entre 27 de julho e 7 de agosto, seguida por uma fase presencial a partir de 17 de agosto, nas dependências do museu, no Rio de Janeiro.
A seleção ficará a cargo de um júri formado por Froiid, Cleyton Santanna e Ariana Nuala, que, em conjunto com a curadoria, escolherão seis artistas, contemplando diferentes regiões do país. O edital estabelece como critérios mínimos ter mais de 18 anos e ao menos três anos de produção artística comprovada, reforçando o compromisso do programa com uma seleção plural e representativa.
Entre as novidades desta edição está a criação do Arquivo Piroceno, iniciativa que amplia o alcance público da residência ao transformar seus debates em uma série de conteúdos audiovisuais. O projeto contará com a participação de mentores convidados como Gabriel Massan, Luiza Crossman e Roberta Carvalho, que compartilharão processos e reflexões sobre arte, tecnologia e novas formas de inteligência nos canais digitais do museu.
Ao consolidar sua residência como plataforma de investigação crítica, o Museu do Amanhã reafirma seu papel como agente ativo na articulação entre arte, ciência e sociedade, propondo um espaço onde a criação contemporânea se coloca em diálogo direto com os desafios e transformações do presente.

