Criado pelo Grupo Arco-Íris, MUMO LGBTI+ organiza documentos, relatos, produções culturais e registros de décadas de ativismo em uma plataforma de acesso livre
A história do movimento LGBTI+ brasileiro ganha um novo lugar de consulta, pesquisa e preservação. O Museu Movimento LGBTI+, o MUMO LGBTI+, chega à internet reunindo documentos, imagens, narrativas e produções culturais ligadas às lutas por direitos e reconhecimento da população LGBTI+ no país. Criada pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, a plataforma é integralmente digital e pode ser acessada gratuitamente, ampliando o alcance de uma memória que durante décadas esteve espalhada entre arquivos pessoais, organizações, pesquisadores e militantes.
A origem do projeto está no próprio acervo do Grupo Arco-Íris, formado e ampliado também a partir de doações de ativistas. A organização desse material contou com a colaboração voluntária de pesquisadores do Grupo de Pesquisa Museologia Experimental e Imagem, ligado ao curso de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a UNIRIO. O trabalho permitiu aplicar procedimentos de classificação e organização museológica a um conjunto documental marcado pela diversidade de suportes e experiências. Entram nesse repertório documentos, arquivos, registros de memória oral e manifestações artísticas.
O MUMO começou a ser estruturado em 2019, com o Projeto Centro de Documentação da Memória LGBTI+. Desde então, a proposta deixou de ser apenas a organização de um arquivo para assumir uma dimensão mais ampla de museologia social, comunitária e temática. A iniciativa articula acervos físicos e digitais com exposições, atividades educativas e pesquisa, colocando no centro da narrativa os próprios ativistas e movimentos que participaram da construção dos direitos LGBTI+ no Brasil. A plataforma também aproxima essas experiências de processos de resistência e reivindicação observados em outros contextos nacionais e internacionais.
Para Cláudio Nascimento, diretor de políticas públicas da Aliança Nacional LGBTI e presidente do Grupo Arco-Íris, preservar esse material é também disputar o modo como a história brasileira é contada. “Preservar a memória LGBTI+ é um ato profundamente político e democrático”, afirma. Segundo ele, o museu foi criado para impedir que “nossas narrativas, corpos, lutas e conquistas” sejam apagados ou colocados à margem da história oficial. A ideia é tratar a memória não apenas como registro do passado, mas como instrumento de enfrentamento ao preconceito e de defesa dos direitos humanos.
Com sede no Rio de Janeiro, o Grupo Arco-Íris transforma assim parte de sua trajetória em um arquivo público e acessível. O resultado interessa tanto a quem participou dessas mobilizações quanto a pesquisadores, estudantes e novas gerações que chegam ao debate sem necessariamente conhecer os caminhos percorridos pelo ativismo brasileiro. O acervo do MUMO LGBTI+ está disponível gratuitamente na plataforma digital do projeto.


