Na cidade de Roubaix, no norte da França, um mural monumental da Estátua da Liberdade foi revelado justamente no dia da Independência dos Estados Unidos. A obra, intitulada O Protesto Silencioso da Estátua da Liberdade, retrata a figura icônica com o rosto coberto pelas mãos, em um gesto de luto ou vergonha. Criada pela artista holandesa Judith de Leeuw, a pintura foi realizada em apenas seis dias e se inspira na tradição do símbolo franco-americano, reinterpretando-o como um grito silencioso diante das políticas migratórias contemporâneas dos EUA.
Segundo a artista, a imagem expressa o sentimento de “vergonha” provocado pelas ações do ex-presidente Donald Trump, especialmente no que diz respeito à deportação em massa de migrantes. De Leeuw explicou que a escolha de Roubaix não foi aleatória: trata-se de uma cidade com forte presença de comunidades migrantes, muitas delas vivendo em situações de vulnerabilidade. “Os valores que a estátua um dia representou — liberdade, esperança, o direito de ser quem se é — estão hoje fora do alcance de muitos”, declarou. A coincidência com o feriado norte-americano foi, segundo ela, “significativa”.
A obra, entretanto, provocou reações inflamadas entre apoiadores de Trump. Parlamentares conservadores e perfis pró-MAGA (Make America Great Again) classificaram o mural como “ofensivo” e “desrespeitoso”, evocando o passado histórico das relações entre França e Estados Unidos. A artista, por sua vez, manteve sua posição crítica. Em publicação nas redes sociais, escreveu: “A Estátua da Liberdade foi oferecida em homenagem à liberdade para todos. Hoje, essa liberdade não é para todos — não para os migrantes, nem para os invisíveis. Pintei-a cobrindo os olhos porque o peso do mundo se tornou insuportável de assistir.”


