Mostra Brasileires entrega murais gigantes assinados por Laerte e Jean Wyllys

Laerte, Sem Título

No mês em que se comemora o Orgulho LGBTQIA+, a Mostra Brasileires, conjunto de seis laterais de edifícios na região do Minhocão que vêm recebendo obras de artistas e pensadores, numa iniciativa da produtora cultural Axé no Corre – comandada pelos ativistas Kleber Pagú e Fernanda Bueno – entregará à capital paulista suas duas últimas obras, assinadas por importantes ícones da luta pela diversidade: Nós” do jornalista, ativista, ex-deputado federal e professor universitário Jean Wyllys e  a obra sem título da cartunista e chargista brasileira Laerte.

O projeto conta com seis empenas que poderão ser encontradas em diferentes pontos do Minhocão, elevado histórico localizado na região central que completou 50 anos em 2021 e tem sido alvo de debates em torno de sua demolição, bem como a criação de um parque – alternativa cultural e esportiva para turistas, população paulista e moradores do entorno.

 A Mostra Brasileires já entregou à cidade de São Paulo quatro murais criados por nomes como o cantor, compositor, artista plástico e percussionista Carlinhos Brown, que divide o trabalho com o Estúdio RoLu; o artista visual M.I.A junto com a ativista Vismoart; a artista visual e ilustradora Aline Bispo com a homenageada da mostra, Lélia Gonzalez; a filósofa, artista plástica, professora universitária e escritora Márcia Tiburi; a artista plástica e ilustradora Catarina Gushiken e a bailarina, coreógrafa, produtora e gestora cultural, e co-curadora da Mostra Brasileires Fernanda Bueno.

Carlinhos Brown e Estúdio RoLu

 “A Mostra Brasileires faz um convite à população para refletir sobre o tempo em que vivemos e a maneira como nos relacionamos com a cidade, propondo fissuras nas estruturas das artes”, explica o produtor cultural e co-curador da mostra, Kleber Pagú. Já Fernanda Bueno completa ressaltando que,  o projeto convida cidadãos atuantes a se conectarem e repensarem o direito à cidade, a natureza e a sociedade de forma mais consciente e participativa”.

Após uma interrupção em respeito às restrições sanitárias impostas pelo plano São Paulo, os dois murais que encerram a mostra têm previsão de término por volta do dia 28 de junho. Para o projeto, Laerte entregará um mural sem título, medindo 462 m², na empena de um edifício localizado na Praça Marechal Deodoro, 406, e Jean Wyllys assina “Nós”, um mural de 1.600 m², na Avenida Francisco Matarazzo, 156 – Sentido Centro.

Laerte, conhecida como uma das maiores cartunistas e chargistas do Brasil, traz em seus trabalhos manifestações pontuais e inquietações diante dos problemas que cercam o cenário político da atualidade, com críticas ao governo que toma conta do Brasil, lançando gritos de resistência. A cartunista explica o conceito de sua obra para a Mostra Brasileires: “Gosto de desenhar mundos, no sentido de ‘planetas Terra’. O planeta possui vários sentidos – é a nossa moradia fixa e também o nosso meio de locomoção. É o lugar onde tentamos nos preservar e onde nos misturamos, sem parar”.

Já Jean Wyllys ressalta os pontos de partida para a criação de seu trabalho na mostra. “São Paulo é o local para onde, ao longo de sua existência, dirigiram-se muitas pessoas LGBTs em busca do anonimato que a grande cidade oferece, para viverem mais livremente suas identidades sexuais e de gênero. Não por acaso, abriga a maior parada do Orgulho LGBT do mundo. Então, por tudo isso, decidi desenhar e pintar algo que representa esse mosaico que faz de São Paulo tão especial: uma mão anônima não-branca segurando fitas coloridas do Bonfim ao vento, uma diversidade de cores que embelezará a empena e a vista de quem passa de carro, sensibilizando a experiência de estar numa cidade de escala não-humana”, explica Wyllys.

Sobre o título de sua obra, Jean acrescenta que “o título é ‘Nós’, com toda a ambiguidade que esta palavra carrega. São Paulo foi construída também, e sobretudo, por trabalhadores imigrantes vindos do Nordeste do país. Boa parte deles era baiana e todos não-brancos (pretos ou quase-pretos ou quase-brancos). Esses trabalhadores pobres, mais os imigrantes de outros países (italianos, japoneses, chineses, sírio-libaneses e pessoas dos países da África subsaariana e da América Latina) fizeram desta cidade, junto com suas elites brancas ou de origem judaica, uma cidade diversa culturalmente, complexa social, religiosa e politicamente e muito próspera”.

Sobre a participação na Mostra, Jean também pontua: “Para mim, foi uma honra e ao mesmo tempo uma sincronicidade ter sido convidado por Pagú e Fernanda para compor o time de artistas. Assim como eles, eu também estava pensando sobre qual diálogo faríamos com o Centenário da Semana de 22 e com toda a herança que aqueles e aquelas vanguardistas das elites nos deixaram. O que proporíamos de ‘novo’ em relação a essa herança num mundo agora digitalizado e mais globalizado? Essa pergunta nos uniu!”.

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