Morreu no último dia 30 de março, em Baltimore, Melvin Edwards, um dos escultores mais originais e politicamente incisivos da segunda metade do século XX. Aos 88 anos, deixa uma obra que nunca coube em classificações fáceis: soldando aço encontrado, correntes, ganchos e farpas, ele forjou uma linguagem capaz de falar ao mesmo tempo de violência racial, herança africana, encarceramento e da fria beleza industrial do minimalismo. Sua galeria, Alexander Gray Associates, confirmou a morte tranquila, ao lado da mulher, Diala Toure.
Edwards é sobretudo lembrado pelos “Lynch Fragments” (Fragmentos de Linchamento), série iniciada nos anos 1960. Peças de pequeno a médio porte – muitas com pouco mais de 30 centímetros – que trazem membros desmembrados, corpos amassados, enforcados, mas também títulos cortantes que citam Malcolm X, guerras americanas e culturas africanas. “O problema não é a corrente”, explicou uma vez. “É como as pessoas a usam. Simbolicamente, elas também são laços de parentesco, ligação.” Ele pendurava as esculturas na altura dos olhos nos museus: “para que estejam no mesmo lugar onde você encontra uma cabeça humana”.
Influência direta sobre David Hammons, celebrado por Frank Bowling em ensaio para a ARTnews, Edwards foi o primeiro escultor negro a ter individual no Whitney Museum (1970). Ainda assim, a fama internacional demorou décadas. Não teve exposição comercial até 1990. Mas nos últimos anos veio o reconhecimento tardio: mostras no Nasher Sculpture Center (2015), no Masp (2018), na Dia Art Foundation (2022) e uma grande retrospectiva em 2024 no Fridericianum (Kassel) e no Palais de Tokyo. Quando perguntado sobre seu papel como modelo para jovens artistas, respondeu: “Apenas seja um. E, se possível, seja um velho.” Ele foi. E fica.


