A artista brasileira Teresinha Soares morreu no dia 31 de março de 2026, aos 99 anos, deixando um legado fundamental para a arte feminista e experimental no país. Conhecida por confrontar normas sociais e explorar o corpo feminino em sua obra, ela foi uma das vozes mais radicais da produção artística brasileira entre as décadas de 1960 e 1970.
Nascida em Minas Gerais, Soares ganhou notoriedade ao incorporar erotismo, política e crítica social em trabalhos que transitavam entre pintura, instalação e performance. Em um período marcado pela ditadura militar e forte conservadorismo, sua produção desafiou tabus ao tratar abertamente de desejo, gênero e opressão, muitas vezes provocando reações da crítica e da imprensa.

Sua obra também dialogava com questões globais e tensões políticas da época, abordando temas como repressão, violência e imperialismo. Ao mesmo tempo, propunha uma nova representação do corpo feminino — não mais como objeto, mas como agente de desejo e discurso. Essa abordagem a consolidou como pioneira na articulação entre arte e feminismo no Brasil.
Apesar de ter interrompido sua produção artística em 1976, sua trajetória ganhou novo reconhecimento nas últimas décadas, com exposições importantes no Brasil e no exterior, incluindo mostras na Tate Modern e no Museu de Arte de São Paulo.
Nos últimos anos, sua obra foi reposicionada como central para compreender as relações entre arte, política e gênero na América Latina. Ao colocar o corpo e o prazer no centro do debate artístico, Teresinha Soares abriu caminhos que seguem reverberando na produção contemporânea.


