Referência da arte contemporânea americana, a artista construiu uma obra marcada por processos naturais, espiritualidade e experimentação
A artista norte-americana Pat Steir morreu aos 87 anos, deixando um legado fundamental para a pintura contemporânea. Reconhecida por suas icônicas waterfall paintings, Steir desenvolveu ao longo de décadas uma prática que tensiona controle e acaso, aproximando a pintura de processos naturais como a gravidade e o fluxo da água.
Nascida em Newark, em 1938, Steir iniciou sua trajetória nos anos 1960 e consolidou sua presença na cena artística internacional a partir da década de 1970. Seu trabalho dialoga com tradições da arte conceitual e do expressionismo abstrato, ao mesmo tempo em que incorpora influências da filosofia oriental — especialmente o budismo e a caligrafia chinesa — em uma abordagem que valoriza o gesto, o tempo e a impermanência.

Pat Steir The Barnes Series II 2018 photo by Tom Powel
A partir dos anos 1980, suas pinturas passaram a explorar de forma mais radical o comportamento da tinta sobre a superfície. Em vez de aplicar pinceladas convencionais, a artista deixava a tinta escorrer pela tela, criando composições verticais que evocam quedas d’água. Esse método não apenas redefiniu sua linguagem, mas também ampliou o entendimento da pintura como um campo de forças entre intenção e acaso.
Ao longo de sua carreira, Pat Steir expôs em importantes instituições e integrou coleções de museus como o Metropolitan Museum of Art e o Museum of Modern Art, consolidando seu lugar como uma das artistas mais relevantes de sua geração. Sua obra permanece como um convite à contemplação e à entrega ao fluxo — uma pintura que, mais do que representar, acontece.


