Figura central da arte alemã do pós-guerra, o pintor e escultor deixa legado marcado por provocação e inovação estética
O artista alemão Georg Baselitz morreu aos 88 anos, em 30 de abril de 2026, segundo informações divulgadas por veículos europeus. Considerado um dos nomes mais influentes da arte do pós-guerra, Baselitz construiu uma carreira marcada por rupturas formais e posicionamentos críticos que redefiniram a pintura contemporânea.
Relembre sua obra em matéria de destaque na edição 106.
Nascido como Hans-Georg Kern, em 1938, na Saxônia, o artista teve sua formação atravessada pelos impactos da Segunda Guerra Mundial e pela divisão da Alemanha. Expulso de uma academia de arte em Berlim Oriental por “imaturidade sociopolítica”, mudou-se para o lado ocidental da cidade, onde desenvolveu uma linguagem própria influenciada pelo expressionismo e pela tradição artística europeia.

Fifties Portrait – M.W., 1969. © Georg Baselitz
Baselitz ganhou notoriedade nos anos 1960, inicialmente cercado por controvérsias — incluindo a censura de obras consideradas obscenas. Seu gesto mais radical veio em 1969, quando passou a pintar figuras de cabeça para baixo, estratégia que desestabilizava a leitura da imagem e deslocava o foco para os elementos formais da pintura, como cor, composição e gesto.
Ao longo das décadas seguintes, consolidou-se como uma figura central da arte contemporânea europeia, ao lado de nomes como Gerhard Richter e Anselm Kiefer. Mesmo em fases tardias da vida, seguiu produzindo obras de grande escala e mantendo uma postura experimental, reafirmando sua recusa a qualquer acomodação estética.
A morte de Baselitz marca o fim de uma geração que transformou a experiência histórica do pós-guerra em linguagem artística. Seu trabalho permanece como referência incontornável para artistas e instituições, ao propor uma pintura que desafia tanto a forma quanto o olhar do espectador.

