Artista paulistano vivia um momento de projeção internacional e integrava mostra recém-inaugurada no MAM de São Paulo
O artista plástico Rodrigo Cass morreu aos 43 anos nesta quinta-feira (17), após se afogar no mar do Rio de Janeiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, uma equipe do Grupamento Marítimo de Copacabana foi acionada por volta das 13h para atender a uma ocorrência na altura do Posto 9, em Ipanema. Encontrado em estado grave, Cass foi levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu. A morte foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde e pela galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, que representava o artista desde 2014.

Libera abstrahere (2023). © Rodrigo Cass
Nascido em São Paulo, em 1983, Cass construiu ao longo de mais de duas décadas uma produção dedicada às relações entre forma, matéria e espiritualidade. Antes de ingressar no circuito das artes visuais, viveu entre 2000 e 2008 como religioso carmelita na Ordem do Carmo. Formado em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina, desenvolveu trabalhos em diferentes linguagens, entre relevos, fotografias e videoesculturas. O uso do concreto sobre linho tornou-se uma das marcas de sua pesquisa, que também incorporava referências da iconografia católica e da tradição neoconcreta brasileira.

Até o Concreto, 2016. © Rodrigo Cass
A trajetória do artista ganhou novo alcance em 2026. Em Portugal, apresentou Geometria Sensível!, sua primeira exposição individual no país, realizada simultaneamente em Lisboa e no Porto. Cass também foi um dos três artistas selecionados pela ArtRio para ocupar os telões da Times Square, em Nova York, ao lado de Lucia Koch e Denilson Baniwa. Para a curadora Christiane Laclau, fundadora da Artmotiv, sua produção aproximava “a tradição construtiva brasileira de uma investigação singular sobre espiritualidade e matéria”.

© Rodrigo Cass. 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira
No Brasil, Cass integrava a 39ª edição do Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Com curadoria de Diane Lima, Depois que tudo foi dito reúne 33 artistas de diferentes regiões do país e marcou a reabertura da sede do MAM no Parque Ibirapuera após a reforma da Marquise. A exposição foi inaugurada em 12 de setembro e permanece em cartaz até 24 de janeiro de 2027. Obras de Cass também fazem parte dos acervos do MAM de São Paulo, do Museu de Arte da Pampulha e do Centre Pompidou, em Paris, além de outras instituições.
Em comunicado, a Fortes D’Aloia & Gabriel afirmou que Cass construiu uma “trajetória única na arte contemporânea brasileira”, marcada por uma pesquisa sobre “matéria e espírito”. A galeria também destacou sua “presença doce”, generosidade e contribuição para a cena artística. Rodrigo Cass deixa a mãe, o marido e dois irmãos.


