Com 98 metros de extensão, Pietrolina conecta os dois edifícios do museu e se torna o maior trabalho já realizado pela artista
O MASP ganha uma nova escala sob a Avenida Paulista. A partir de 11 de setembro, o público poderá atravessar a passagem subterrânea que liga os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi, agora ocupada por Pietrolina, obra inédita de Beatriz Milhazes. São 98 metros de intervenção, concebidos especificamente para o espaço, em um projeto que transforma o deslocamento entre as duas sedes em parte da própria experiência de visita. Segundo o museu, trata-se da primeira construção subterrânea dessa dimensão em uma instituição museológica da América Latina.

© Beatriz Milhazes. Foto: Eduardo Ortega.
Com curadoria de Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro, a obra acompanha o percurso por meio de uma pintura de 60 metros lineares e uma superfície reflexiva de 38 metros. O título junta os nomes do casal que fundou o MASP, Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi. Milhazes trabalha aqui com um repertório reconhecível de sua produção, entre arabescos, florais, listras e formas orgânicas, criando uma composição que se desenvolve no tempo conforme o visitante avança pelo túnel. A sucessão de formas e cores também evoca o movimento dos desfiles de carnaval.
O projeto levou mais de dois anos até chegar à execução. Primeiro veio o desenho, seguido por um estudo cromático que definiu 33 tonalidades de tinta acrílica para transpor a composição ao ambiente. A pintura propriamente dita exigiu três meses de trabalho dentro da passagem. Entre os elementos que atravessam o espaço está o azul associado à presença anterior da artista no museu. Depois da exposição Beatriz Milhazes: Avenida Paulista, realizada pelo MASP em 2020, o tom passou a ser chamado internamente de “Azul Beatriz”. Agora ele reaparece no teto e em uma das paredes do túnel. “A obra de Beatriz Milhazes ocupa um lugar fundamental na arte brasileira e internacional, e receber esse mural no MASP é um presente para o museu e para o país”, afirma Amanda Carneiro.

© Beatriz Milhazes. Foto: Eduardo Ortega.
A nova passagem também resolve uma questão menos visível, mas essencial ao funcionamento do complexo. Com 50 metros de comprimento, cinco metros de largura e 2,5 metros de altura, ela permite a circulação contínua do público entre os edifícios e cria uma rota adequada para o transporte de obras, equipamentos e equipes técnicas. O projeto começou a ser desenvolvido em 2019 e teve as obras iniciadas em 2023, depois de estudos e aprovações envolvendo IPHAN, Metrô de São Paulo, CET e SIURB. A construção exigiu ainda o remanejamento de redes de água, esgoto, energia e telefonia, além de escavações e recomposição da calçada da Avenida Paulista.
Pietrolina amplia uma relação que Milhazes já mantém com o MASP. Em 2020, a artista apresentou Avenida Paulista, posteriormente incorporada ao acervo do museu, em uma retrospectiva que reuniu mais de 170 trabalhos e percorreu diferentes momentos de sua trajetória. Reconhecida internacionalmente, Milhazes tem obras em coleções como as do MoMA, Tate Modern, Centro Georges Pompidou e Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía. No MASP, sua nova obra poderá ser vista durante o horário regular de funcionamento do museu, com agendamento on-line obrigatório. A passagem passa a fazer parte do percurso entre os dois edifícios a partir de 11 de setembro.


