MASP dá inicio ao ciclo de exposições 2020 com “Histórias da dança”

Helio Oiticica, Nininha com Parangolé P25 Capa 21- “Xoxoba”, 1968. Foto Andreas Valentin

A partir de 20 de março, o Museu de Arte de São Paulo – MASP dá início ao ciclo de “Histórias da dança” com as mostras de Trisha Brown: coreografar a vida e Hélio Oiticica: a dança na minha experiência

Coreografar a vida é a primeira mostra individual da coreógrafa e dançarina norte-americana Trisha Brown (1936-2017) no Brasil e reunirá cerca de 160 trabalhos incluindo fotos, desenhos e vídeos. A curadoria é de André Mesquita.

Trisha fez parte de uma geração de artistas que, liderados por Anna Halprin (1920), contribuiu, por exemplo, para introdução de corpos não habituais na dança, criação de peças como manifestos políticos realizados nas ruas, utilização da improvisação como prática e ferramenta compositiva, utilização da fala e da voz como parte da dança e criação de peças para lugares não tradicionais.

A mostra busca apontar as complexas relações entre dança e artes visuais, exibindo em simultâneo os desenhos com as imagens de suas coreografias. Estarão reunidos trabalhos fundamentais no percurso da artista e que enfatizam o aspecto inovador de sua produção.

“Dançar é sequenciar e expressar movimentos. Coreografar é projetar a dança, ou seja, organizar essa sequência. Trisha fazia anotações e inúmeros desenhos para sistematizar os gestos do corpo. Com o tempo, ela passou a aproximar a dança ao cotidiano incorporando movimentos corriqueiros, como andar e vestir, em seus trabalhos”, explica Mesquita –daí o título da exposição.

A mostra será dividida em oito núcleos pensados a partir do vocabulário e dos ciclos de trabalho de Trisha: Corpo democrático, Contra a gravidade, Transmitir os gestos, Acumulações, Diagrama em movimento, Impulso contraditório, Máquinas de dança, Desenhar, performar. Trisha Brown: coreografar a vida busca apontar as complexas relações entre dança e artes visuais, exibindo em simultâneo os desenhos com as imagens de suas coreografias. Estarão reunidos trabalhos fundamentais no percurso da artista e que enfatizam o aspecto inovador de sua produção.

Trisha Brown, Stephen Petronio, 1983.

A dança na minha experiência apresentará a relação entre a produção de Hélio Oiticica (1937-1980) e a dança, a música, o ritmo e a cultura popular brasileira. A exposição é uma parceria com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), que receberá a mostra entre julho e outubro deste ano, e a curadoria é de Adriano Pedrosa e Tomás Toledo.

Hélio Oiticica: a dança na minha experiência apresentará uma ampla seleção de Parangolés, incluindo cópias de exposições que poderão ser usadas pelo público. Além disso, outros trabalhos serão reunidos sob a perspectiva da dança e do ritmo, apresentando uma trajetória que culminará no Parangolé, compondo uma espécie de genealogia deste trabalho radical com a apresentação de obras das séries Metaesquemas, Relevos espaciais, Núcleos e Bólides.

Inspirada pela produção de caráter experimental e inovador de Oiticica, a mostra traça um panorama da trajetória do artista, reunindo 126 trabalhos relacionados ao ritmo, à música e à cultura popular. “Meu interesse pela dança, pelo ritmo, no meu caso particular pelo samba, me veio de uma necessidade vital de desintelectualização, de desinibição intelectual, da necessidade de uma livre expressão”, escreveu Oiticica no texto “A dança na minha experiência”, de 1965, que inspirou o nome da exposição.

Hélio Oiticica com fantasia de passista da Mangueira. Foto: Andreas Valentin, 1979.

Nesta mostra serão exibidos trabalhos dos períodos de investigações geométricas, rítmicas e cromáticas, cada núcleo da exposição representando uma série do artista. Metaesquemas contará com cerca de 60 trabalhos, ilustrações em guache sobre papel cartão, que exploram formas e cores e resultam de seu envolvimento com o concretismo; Relevos espaciais, que dão a impressão de serem dobraduras expandidas, tem a ver, entre outras questões, com a materialização da cor; Núcleos, esculturas de proporções maiores e interativas, Penetráveis, instalações manipuláveis, e Bólides, nos quais Oiticica explora questões como a cor, a solidez, o vazio, o peso e a transparência.

É a primeira vez que uma exposição individual do artista acontece no museu. A mostra fica em cartaz entre 20 de março e 7 de junho.

Hélio Oiticica P15 Parangolé Capa 11, Incorporo a revolta, 1967. Foto por Claudio Oiticica Coleção Projeto Hélio Oiticica.

 

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