MARGS propõe reflexão sobre a presença de artistas negros em seu acervo e no sistema da arte

J. Altair, Amuleto a Iemanjá I, 1979

O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), lança o projeto “Presença Negra no MARGS”, que consiste em um amplo e extenso programa institucional propondo o debate e a reflexão sobre a presença e representatividade de artistas negros e negras no Acervo Artístico do Museu e também no sistema da arte. A iniciativa, que vem sendo pensada e estruturada ao longo do último ano, será desenvolvida entre 2021 e 2022, trazendo a público conferências, palestras, encontros, cursos, debates, conteúdos e diversas ações com artistas, teóricos/as, pesquisadores/as, curadores/as e intelectuais negros/as e do pensamento negro no Brasil, incluindo agentes de movimentos sociais e ONGs.

Entre os temas, estão: A noção de arte afro-brasileira, As intersecções entre relações sistêmicas da arte e raça, Os processos de discussão decolonial em instituições culturais brasileiras, Os mecanismos e estratégias para uma educação antirracista a partir da arte, e o papel dos museus e das instituições na implementação de políticas e ações, sobretudo desde o sul do Brasil.

As atividades serão desenvolvidas nos próximos meses dentro de um Programa Público, que oferecerá uma plataforma a fim de manter o tema em evidência na programação e afirmar o compromisso permanente do Museu. Todas as ações serão realizadas de forma virtual, através das redes sociais e com transmissão pelo YouTube do MARGS.

A programação online também oferecerá um ambiente preparatório para a grande exposição que será apresentada em 2022, como ponto culminante dos debates, reflexões e investigações do projeto. Com o título provisório “Presença Negra no MARGS”, a mostra com curadoria dos pesquisadores Igor Simões (UERGS) e Izis Abreu (MARGS) resultará de um profundo exame e revisão crítica do Acervo Artístico do Museu — desde sua formação iniciada em 1954, até os dias atuais —, abordando a produção, a trajetória e as obras de artistas negros e negras que o integram. Ao problematizar o reduzido número de suas obras no Acervo do MARGS, a investigação propõe uma reflexão sobre ausências, exclusões, invisibilidades e silenciamentos de sujeitos racializados como negros e negras no sistema da arte. Nas palavras de Izis, pesquisadora e integrante do Núcleo Educativo e de Programa Público do MARGS, “em um total de 1.020 artistas, temos a presença de ao menos 22 negros/as, representando menos de 2% do total do Acervo do Museu. Observar esses dados é importante pois os acervos e as coleções de um museu de arte designam o que é considerado arte e quais objetos devem ou não fazer parte, definindo quais subjetividades devem ser preservadas, difundidas e acessadas. Assim, acabam por reverenciar alguns artistas em detrimento de outros. Por conseguinte, a equidade de representações passa necessariamente pela reflexão das relações de poder que determinam a inserção de uns e a recusa de outros. Pensando nisso, o projeto ‘Presença negra no Acervo do MARGS’ soma-se a uma série de debates que vêm sendo estimulados pela atual gestão, e de outros que ainda serão realizados, como forma de consolidação de políticas institucionais que buscam a inclusão do pluriversal na produção do sensível.”

Nas palavras do diretor-curador do MARGS, Francisco Dalcol: “Considerando o caráter episódico que o projeto poderia assumir se contasse apenas com a realização da exposição, o Programa Público vem também a manter as discussões e reflexões em evidência na pauta e no cotidiano institucional do Museu. Assim, com o projeto ‘Presença Negra no MARGS’, a atual gestão e direção artística do Museu reforça sua atuação frente às exigências e compromissos dos debates contemporâneos, por meio de reflexões críticas, da produção de conhecimento avançado e da instituição de políticas que buscam maior pluralidade, diversidade, inclusão e equidade dentro de um processo histórico hoje seriamente questionado. E em um país em que o racismo estrutural e sistêmico persiste em suas diversas formas de dominação, opressão, segregação e exclusão, o projeto vem também a problematizar o mito da democracia racial no Brasil”.

No MARGS, o “Presença Negra” se vincula ao programa “Histórias Ausentes”, com o qual se procura conferir visibilidade e legibilidade a manifestações artísticas e narrativas invisibilizadas pelos discursos dominantes da historiografia oficial, destacando trajetórias, atuações e produções artísticas que permanecem não legitimadas pelo sistema das artes.

A Secretária de Estado da Cultura, Beatriz Araujo, afirma que “este projeto vai tornar ainda mais relevante o papel histórico e social do Margs, que abrirá suas portas para o olhar de artistas negros, construindo, assim, uma cultura mais inclusiva”.

PROGRAMAÇÃO DE LANÇAMENTO

A estreia do projeto será no dia 10 de junho, às 19h, através de uma live reunindo Izis Abreu (MARGS) e Igor Simões (UERGS), que farão a apresentação do “Presença Negra no MARGS” e de suas bases conceituais. Já no dia 17.06, também às 19h, o MARGS traz a público a conferência “Arte afro-brasileira: entre o visível e o oculto”, apresentada por Hélio Menezes, pesquisador que vem oferecendo relevantes contribuições sobre o tema a partir de sua atuação e projetos.

Os dois eventos serão transmitidos pelo YouTube do MARGS (http://abre.ai/youtubemargs).

Flávio Cerqueira, Logo Ali, 2014

PROJETOS

1) “Presença Negra no Acervo do MARGS”

O primeiro projeto a ser lançado dentro do Programa Público será o “Presença Negra no Acervo do MARGS”, que pretende abordar a produção e a trajetória de artistas negros e negras que integram o Acervo Artístico da instituição. São artistas de orientação acadêmica, não acadêmica, moderna ou contemporânea. Entre alguns/mas, estão Arthur Timótheo da Costa (1882-1922), Emanoel Araujo (1940- ), J. Altair (1934-2013), Flávio Cerqueira (1983- ) e Maria Lídia Magliani (1946-2012). Enquanto programa que se quer comprometido com o exame e a revisão da história e da estrutura institucionais do Museu, o projeto visa levantar reflexões sobre as ausências e (in)visibilidades de sujeitos racializados como negros e negras na arte, ao problematizar o reduzido número de artistas cujas obras compõem o acervo do MARGS. Esse projeto será composto por uma série de conteúdos produzidos a serem publicados nas redes sociais do MARGS, com periodicidade quinzenal, a partir de 15.06.2021. A coordenação é de Izis Abreu, integrante do Núcleo Educativo e de Programa Público do MARGS.

2) “Racialização e arte no Brasil” – Encontros de História, Teoria e Crítica da Arte — Edição 4

Um dos objetivos centrais do projeto é promover espaços que permitam discutir a história da arte desde um ponto de vista da mobilidade, tendo como pauta assuntos que, além de emergentes, são urgentes nas apreensões contemporâneas da disciplina. Em sua 4ª Edição, no ano de 2021 a atividade quer discutir a presença negra na escrita da história da arte no Brasil, desde o lugar de pesquisa, crítica e curadoria. Para tanto, reúne projetos que surgem do trabalho de alguns pensadores negros que têm protagonizado, a partir de suas práticas, debates indispensáveis para um horizonte artístico que ainda persiste em negar o bélico encontro entre a história da arte brasileira e os processos que constituem um país eminentemente preto. O ciclo de palestras e debates contará com a participação de figuras referenciais sobre o tema nas artes visuais no Brasil, que destacarão conhecimentos que urgem por visibilidade em uma sociedade estruturalmente marcada pelo racismo.

Confira a programação:

> 24.06.2021: o 1º Encontro receberá Amanda Carneiro (MASP/SP), falando sobre “Museu e decolonialidade e a experiência do MASP/Afterall”

> 01.07.2021: o 2º Encontro será com Deri Andrade (Projeto Afro/Alagoas/SP), apresentando “O Projeto Afro e as geografias da arte preta no Brasil”

> 08.07.2021: o 3º Encontro terá como convidada Diane Lima (Curadora Independente/BA), refletindo sobre “O trabalho curatorial e a racialização no Brasil”

> 15.07.2021: o 4º e último encontro contará com a presença de Bruno Pinheiro (Pesquisador/Doutorando em História/Bahia-SP), discutindo o tema “Modernismos afro-atlânticos”

3) “Grupo de estudos sobre representatividade, miscigenação e branquitude”

O objetivo geral do grupo de estudos é observar a norma identitária branca e como o seu funcionamento produz efeitos racistas por meio de leituras e conversas coletivas. Ao mesmo tempo, visa acionar movimentos que se colocam como contranarrativas a esses discursos histórico e socialmente construídos. Os estudos serão realizados em torno de 3 temas – representatividade; mito da democracia racial e miscigenação; e branquitude –, compreendidos na complexidade entre os efeitos do racismo sobre as pessoas negras e uma estrutura previamente racializada pela norma identitária branca. O método, construído coletivamente, tem a imagem de uma mesa farta que oferece um conjunto diversificado de recursos da cultura (acadêmica, midiática, artística) sobre cada tema. Os encontros serão realizados em uma sala virtual e terão periodicidade quinzenal, entre 28.07 e 17.11.21. As inscrições para participação serão divulgadas em breve, nas redes sociais do MARGS. A coordenação da ação é de Carmen Capra (UERGS).

4) Curso “Pensamento negro, estética e movimento social”

O curso tem o objetivo de ampliar o conceito de cânone no pensamento brasileiro. Por meio de significativo conjunto de obras de diferentes linguagens e estilos, pretende-se destacar as variadas formas de interlocução delas com a emergência, desenvolvimento e consolidação do pensamento negro brasileiro que deu fundamento à ação política dos movimentos sociais nos séculos XIX-XX. Organizado em quatro blocos – Criação literária e condição negra; artes afro-diaspóricas, estética dos terreiros e teatro negro; raça, nação e cultura negra; pensamento e movimento de mulheres negras – o curso será realizado entre 14.07 e 24.11 e contará com a presença de diversos convidados para debater os temas propostos. As inscrições para participação serão divulgadas em breve, nas redes sociais do MARGS. A ação tem coordenação de José Rivair Macedo (UFRGS).

5) Exposição “Presença Negra no MARGS”

A realização do Programa Público oferecerá um ambiente preparatório para uma grande exposição que será apresentada em 2022, como ponto culminante dos debates, reflexões e investigações do projeto. Com o título provisório “Presença Negra no Acervo do MARGS”, a mostra com curadoria dos pesquisadores Igor Simões (UERGS) e Izis Abreu (MARGS) resultará de um profundo exame e revisão crítica do Acervo Artístico do Museu — desde sua formação iniciada em 1954, até os dias atuais —, abordando a produção, a trajetória e as obras de artistas negros e negras que o integram. Ao problematizar o reduzido número de suas obras no Acervo do MARGS, a investigação propõe uma reflexão sobre ausências, exclusões, invisibilidades e silenciamentos de sujeitos racializados como negros e negras no sistema da arte. O projeto curatorial também envolve uma leitura crítica sobre a representação conferida ao negro/a em imagens de obras de caráter figurativo e narrativo, a maior parte delas de autoria de artistas brancos.

Emanoel Araujo, Sem título, 1976

PROGRAMAÇÃO GERAL

> 10.06.21: live de abertura, com Izis Abreu e Igor Simões, apresentando o “Presença Negra no MARGS” e as bases conceituais (19h, transmissão pelo YouTube do MARGS)

> 17.06.21: conferência de abertura, com Hélio Menezes, sobre o tema “Arte afro-brasileira: entre o visível e o oculto” (19h, transmissão pelo YouTube do MARGS)

> 15.05.21: início das publicações quinzenais do projeto “Presença Negra no Acervo do MARGS” no Instagram e Facebook do Museu. Coordenação: Izis Abreu (MARGS)

> 24.06, 01.07, 08.07 e 15.07.21: “Encontros de História, Teoria e Crítica da Arte. Edição 4: Racialização e Arte no Brasil”. Coordenação: Igor Simões, UERGS (sempre às 19h, transmissão pelo YouTube do MARGS)

> Entre 28.07 e 17.11.21: grupo de estudos sobre representatividade, miscigenação e branquitude, com encontros quinzenais. Coordenação: Carmen Capra, UERGS (Sala virtual, divulgação de acesso para os inscritos)

> Entre 14.07 e 24.11.21: curso “Pensamento negro, estética e movimento social”, com encontros semanais. Coordenação: José Rivair Macedo, UFRGS (Sala virtual, divulgação de acesso para os inscritos)

> 1° Semestre de 2022: exposição “Presença Negra no Acervo do MARGS” (título provisório), com curadoria de Igor Simões (UERGS) e Izis Abreu (MARGS)

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