Um dos mais célebres sonhos de Leonardo da Vinci, o voo humano inspirado no movimento das aves, ganhou forma no Château du Clos Lucé, em Amboise, onde o mestre renascentista viveu seus últimos anos. A instituição recriou em madeira, corda e lona um ornitóptero idealizado por Da Vinci no século XV, dispositivo concebido a partir de estudos sobre asas e articulações, registrados no Códice Atlântico. A peça suspensa sobre os visitantes é o ápice da exposição “Biomimicry: Taking Inspiration from Nature”, que conecta os experimentos visionários do artista às pesquisas contemporâneas em engenharia.
O desenho original, feito há mais de 500 anos, é exibido em um nicho ao lado da recriação, lembrando a inquietação científica de Leonardo diante das limitações humanas e a sua busca por respostas na natureza. Além do ornitóptero, a mostra reúne recriações de outros projetos biomiméticos do artista, como a armadura mecânica e o leão autômato, apresentados ao lado de robôs contemporâneos desenvolvidos por centros de pesquisa franceses. O diálogo entre invenções renascentistas e tecnologias atuais revela a permanência da natureza como fonte inesgotável de soluções para problemas técnicos e criativos.
A exposição também amplia o olhar sobre o legado de Da Vinci, relacionando-o a práticas modernas de biomimética: do velcro inspirado em sementes de carrapicho aos trens-bala moldados pelo bico do martim-pescador. Referências vindas de plantas e insetos, que inspiraram tanto o helicóptero quanto microdrones contemporâneos, reforçam essa continuidade. Para o Château du Clos Lucé, a mostra convida o público a repensar a relação entre arte, ciência e natureza, não como um gesto de dominação, mas de colaboração e harmonia.
“Biomimicry: Taking Inspiration from Nature” está em exibição no Château du Clos Lucé, em Amboise, França, até 10 de setembro de 2025.



