Mapas indígenas do século XVI mostram visões não-eurocêntricas do mundo

Mizantla, México, 1579

Ao mesmo tempo em que a Espanha começou a explorar as Américas habitadas, os cartógrafos europeus concentraram-se em criar mapas com precisão geométrica cada vez maior e depois reproduzir os mesmos por meio de gravuras e xilogravuras. Mas os europeus não foram os únicos a criar representações de geografias e espaços de mapas nas Américas – e sua cartografia matematicamente não foi a única maneira de registrar as paisagens do século XVI.

Mapeando a memória: espaço e história no século XVI – México – atualmente em exibição no Museu de Arte Blanton, em Austin, Texas – apresenta 20 mapas desenhados por artistas indígenas a pedido dos espanhóis entre 1579 e 1581. Esses mapas ilustram a fusão de tradições visuais durante os primeiros anos de contato entre grupos indígenas e colonizadores.

“O que os mapas melhor nos mostram é o mundo indígena – como seus habitantes, ainda se recuperando, sem dúvida, dos golpes da conquista, reformularam seus mapas outrora insulares para acompanhar as rápidas mudanças em sua compreensão do mundo circundante”, afirma a historiadora Barbara Mundy.

A maioria foi criada com aquarelas e tinta sobre papel, embora um artista ilustrando Atengo e Misquiahuala tenha utilizado tempera de pele de veado. O estilo de cada um é único, assim como as cores e pinceladas; a maioria mede aproximadamente 16 a 24 polegadas por 24 a 36 polegadas, em composições de paisagem e retrato, mas outros possuem grandes dimensões.

Atengo e Misquiahuala, México, 1580

O mapa comunidade Mixteca de Teozacoalco (na atual Oaxaca) – um dos exemplos em grandes dimensões – além de mapear os limites da cidade, registra a língua local como chiyo ca’nu e descreve 46 topônimos logográficos e 10 gerações de governantes locais. Cidades menores na esfera de influência de Teozacoalco são mostradas conectadas por uma rede de rios e estradas. Esse mapa, ao contrário dos mais compactos, foi claramente dobrado, desdobrado e redobrado ao longo do tempo. Manchas escuras ao longo das dobras do mapa ressaltam que o mapa era um objeto circulante, parte da construção do império espanhol.

Além das pinturas, a exposição apresenta impressões do século XVI das cartas de Cortés ao rei Carlos V, da Espanha, justificando sua expedição e caracterizando a subsequente guerra hispano-mexica como uma conquista absoluta para a Espanha. Também está em exibição o decreto de 1529 de Charles V, que nomeia Cortés como capitão-general da Nova Espanha.

Mapping Memory oferece um retrato incrivelmente sutil do legado material do império e lembra ao público que as tradições visuais indígenas de mapeamento perseveraram-se nas décadas seguintes ao contato com os espanhóis.

Teozacoalco, Mexico, 1580

 

Fonte: Hyperallergic

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