O Louvre anuncia a restauração “mais ambiciosa” de seu departamento de pinturas: 24 telas de Rubens, 3.100 metros quadrados de superfície pintada e uma galeria inteira transformada em estúdio
O Museu do Louvre acaba de anunciar um projeto que vai tirar de cena um de seus conjuntos mais monumentais por quatro anos. Até o outono europeu, ainda é possível visitar os 24 painéis que compõem o ciclo de Maria de’ Medici, pintados por Peter Paul Rubens entre 1621 e 1625. Depois disso, a galeria que leva o nome da soberana será transformada em um estúdio de restauração a céu aberto — e as obras só devem retornar ao público em 2030.
A intervenção, descrita pelo museu como “a mais ambiciosa restauração da história do Departamento de Pinturas”, foi desencadeada por análises que remontam a 2016 e ganharam contornos de “grave preocupação” em 2020. Os vernizes originais apresentam um amarelamento generalizado devido à oxidação, e os retoques de restaurações anteriores se tornaram visualmente dissonantes, comprometendo a leitura estética e histórica das cenas. Em comunicado, o Louvre foi direto: “as obras não estão mais em condições adequadas de exibição”.
Encomendado por Maria de’ Medici, rainha da França e figura central do mecenato europeu entre o Renascimento e o barroco flamengo, o conjunto narra episódios de sua vida em chave alegórica — com todo o exuberante vocabulário rubensiano de drapeados, corpos carnais e encenações grandiosas. Criadas originalmente para o Palácio de Luxemburgo, as telas hoje ocupam sozinhas uma galeria de cerca de 3.100 metros quadrados de superfície pintada, um dos conjuntos mais densos do museu em termos de pura matéria pictórica.
Apesar de não carregarem o apelo pop da Mona Lisa ou da Vênus de Milo, as pinturas figuram entre os pontos altos da carreira de Rubens e representam um capítulo central na história da pintura do século XVII. A restauração será conduzida por uma equipe de três curadores e contará com uma contribuição de US$ 4,64 milhões da Sociedade dos Amigos do Louvre — valor que cobre parte do projeto, cujo orçamento total não foi divulgado. Nos próximos anos, a galeria Medicis funcionará como um canteiro de obras aberto à vista dos visitantes, transformando o próprio ato da restauração em uma experiência de museu.


