Venda histórica da Sotheby’s consolida retomada do mercado europeu com obras de Modigliani, Klimt, Picasso, Degas e Lucian Freud entre os destaques
O mercado internacional de arte ganhou um novo fôlego nesta semana com um dos leilões mais importantes do ano. A Sotheby’s arrecadou cerca de US$ 500 milhões (aproximadamente £382 milhões) em sua noite de vendas de arte moderna e contemporânea em Londres, impulsionada principalmente pela aguardada dispersão da coleção do bilionário britânico Joe Lewis, proprietário do Tottenham Hotspur. Sozinha, a Lewis Collection somou £296,3 milhões (US$ 392,6 milhões), estabelecendo o novo recorde para a coleção de um único proprietário já vendida em leilão no Reino Unido e na Europa.
O grande destaque da noite foi Nu assis au collier (1917), de Amedeo Modigliani, vendido por £48,2 milhões (US$ 63,5 milhões), confirmando as expectativas em torno da pintura que pertence à célebre série de nus apresentada na única exposição individual do artista em vida, encerrada pela polícia parisiense em 1917 sob acusação de obscenidade. A obra liderou um conjunto de 48 lotes reunidos por Joe Lewis e sua filha, Vivienne Lewis, ao longo de mais de três décadas.
Outros resultados expressivos reforçaram o sucesso da venda. Bildnis Gertrud Loew, de Gustav Klimt, alcançou £36 milhões (cerca de US$ 48 milhões); Sleeping by the Lion Carpet, de Lucian Freud, foi arrematada por £29 milhões (US$ 39 milhões); a escultura Petite Danseuse de quatorze ans, de Edgar Degas, atingiu £25 milhões (US$ 34 milhões); enquanto Buste de femme, de Pablo Picasso, foi vendida por cerca de £24 milhões (US$ 32 milhões). Também figuraram entre os destaques obras de Egon Schiele, Francis Bacon, René Magritte, Henri Matisse e Kazimir Malevich.

Nymphéas (1907) , de Claude Monet, foi vendida por £ 40,8 milhões (US$ 54 milhões).
Cortesia da Sotheby’s
Mais do que um recorde, o resultado foi interpretado como um sinal de confiança no mercado europeu, que nos últimos anos vinha enfrentando desafios diante da concorrência de Nova York, Hong Kong e Paris. Sem recorrer a garantias financeiras prévias — prática comum em grandes leilões —, a família Lewis deixou que o mercado definisse os valores das obras, reforçando a percepção de que peças de qualidade museológica continuam despertando forte interesse entre colecionadores internacionais.


