Coleção de Villena, com 66 peças e cerca de 3 mil anos, foi atacada de madrugada em uma operação que investigadores suspeitam ter sido planejada nos mínimos detalhes
Pouco depois das cinco da manhã, o Museu de Villena, na província espanhola de Alicante, entrou em alerta. Em quatro minutos, a ação estava encerrada. Um grupo de ladrões entrou no edifício, recolheu a maior parte do chamado Tesouro de Villena e deixou o local antes das 5h24. A coleção, formada por 66 objetos, em sua maioria de ouro, é considerada um dos conjuntos arqueológicos mais importantes da Espanha e uma das grandes descobertas da pré-história europeia.
Segundo autoridades locais, os criminosos chegaram em vários veículos e teriam acessado o museu por uma janela. Todos os sistemas de segurança foram acionados, mas não houve, até o momento, indicação de falha no equipamento. Pouco antes do assalto, uma segunda ocorrência mobilizou as autoridades: o alarme de um centro esportivo da cidade também disparou. A possibilidade de que tenha sido uma distração deliberadamente provocada pelos ladrões está entre as linhas investigadas.
O conjunto foi descoberto em 1963 pelo arqueólogo José María Soler, escondido em um recipiente enterrado no leito seco de um antigo rio. São 29 braceletes, 11 tigelas, três garrafas e outros objetos produzidos por volta de 1000 a.C. Durante décadas, o acervo foi a principal atração de um pequeno museu local. Desde maio de 2024, estava reunido em uma sala especialmente dedicada no novo Museu de Villena, administrado pelo município.
Além do ouro, que sozinho teria valor estimado em € 1,7 milhão, algumas peças carregam uma característica particularmente rara. Estudos recentes indicam que parte dos objetos de ferro pode ter sido produzida a partir de material proveniente de meteoritos. Prata, âmbar e uma substância escura revestida por uma camada semelhante a óxido de ferro também aparecem no conjunto, tornando o tesouro relevante não apenas pelo valor econômico, mas pelas informações que suas matérias-primas podem oferecer sobre as sociedades da Idade do Bronze.
Para Mauro Hernández, professor de arqueologia da Universidade de Alicante e especialista no acervo, a rapidez da operação é um dos sinais de que não se tratou de um crime improvisado. “Eles tinham tudo muito bem planejado”, afirmou à Cadena SER. “Sabiam como fazer, como agir e como escapar.” O prefeito de Villena, Fulgencio Cerdán, não escondeu o impacto da perda. “Para nós, isso destrói tudo”, disse, classificando o conjunto como parte da herança e da riqueza da cidade. As autoridades espanholas continuam procurando as peças, enquanto o município tenta dimensionar exatamente o que foi levado.

