Obra de 70 metros ocupa a fachada da Biblioteca Apostólica Vaticana e integra AQVA, mostra que coloca arte contemporânea em diálogo com acervos históricos para refletir sobre a água entre catástrofe e maravilha
Uma gigantesca onda em preto e branco tomou a fachada da Biblioteca Apostólica Vaticana, no Pátio do Belvedere. A instalação é do artista francês JR e integra “AQVA. Catástrofe e Maravilha”, exposição inaugurada pelo Papa Leão XIV em 14 de setembro, data em que o pontífice completou 71 anos. Com cerca de 70 metros de largura e 13 metros de altura, a intervenção parte de uma gravura de Gustave Doré para representar a ambivalência da água, simultaneamente fonte de vida e força capaz de provocar destruição.
A mostra inaugura um ciclo expositivo de cinco anos da Biblioteca Vaticana dedicado à relação entre humanidade e elementos naturais. Neste primeiro capítulo, obras e intervenções contemporâneas dialogam com documentos e objetos preservados pela instituição, reunindo JR, o tipógrafo norte-americano Bill Moran e o chef italiano Fulvio Pierangelini. O projeto aborda a água inicialmente como ameaça para, ao longo do percurso, recuperar sua dimensão vital e a possibilidade de reconciliação entre humanidade e natureza.

JR, AQVA. Catástrofe e Maravilha
A presença de JR cria um dos encontros mais inesperados do projeto: sua linguagem de intervenções monumentais em espaços públicos ocupa uma instituição fundada no século XV e responsável por preservar parte fundamental da memória documental da Igreja. Durante a inauguração, Leão XIV destacou justamente a necessidade de conciliar preservação e abertura, comparando a Biblioteca a um coração que precisa alternar movimentos em direção ao seu patrimônio e ao mundo exterior. “Fiéis ao passado e fiéis ao futuro”, afirmou o pontífice ao defender que a instituição encontre novos caminhos de diálogo por meio de diferentes linguagens.

JR, AQVA. Catástrofe e Maravilha
AQVA. Catástrofe e Maravilha abre ao público em 25 de setembro e poderá ser visitada até 14 de maio de 2027, na Biblioteca Apostólica Vaticana. O projeto deverá prosseguir nos próximos anos investigando outros temas e elementos, entre eles fogo, luz e a própria condição humana.


