Instalação online reflete sobre relação da humanidade com tecnologia

Voltada exclusivamente para o ambiente virtual, obra JARDINS DO FOTÚRETO, do

Agrupamento Núcleo 2 une fotografia, vídeo, performance e áudio binaural

 

Misturando fotografia, videoarte, performance e áudio binaural, que reproduz a forma como os sons são captados pelo ouvido humano, a instalação multimídia JARDINS DO FOTÚRETO, criada especialmente para o ambiente virtual propõe reflexões sobre o surrealismo das ações humanas em nossos dias e seus reflexos no amanhã. A instalação é o primeiro trabalho produzido durante a crise pandêmica pelo coletivo multimídia de pesquisa e fusão de linguagens artísticas Agrupamento Núcleo 2, sediado em São José do Rio Preto (SP). O público pode acessá-la gratuitamente pelo site fotureto.com.br, que ficará no ar até julho de 2021.

 Em uma atmosfera futurística, a obra investiga a relação da humanidade com a tecnologia, sua dependência desses dispositivos, a privacidade roubada, a transformação nos relacionamentos, nos corpos e na vida em sociedade em decorrência dela. A partir do conceito do realismo mágico, o trabalho provoca os sentidos do espectador por meio de um conjunto de quatro performances, nove videoartes e nove fotografias modificadas digitalmente, oriundas do acervo pessoal do artista multimídia Jef Telles, responsável pela concepção, direção e audiovisual.

 O artista trabalhou com colagens de imagens da internet sobre fotos de suas andanças por locais como Salar de Uyuni e Potosí, na Bolívia; Castelo de Chambord, na França; Lençóis Maranhenses e Rio Tietê, na cidade de Zacarias, interior paulista. A narrativa em áudio soma-se à construída pelas imagens e o público deve acompanhar as obras usando fones de ouvido binaural. Nas videoartes, as imagens estáticas das fotografias manipuladas digitalmente ganham movimento, apresentando novas situações e complementando a narrativa.

 Do físico para o virtual

A idealização do trabalho começou bem antes do surgimento do coronavírus. JARDINS DO FOTÚRETO foi um dos projetos selecionados em 2019 pelo ProAC (Programa de Ação Cultural) para produção de exposições inéditas de artes visuais no Estado de São Paulo. Se não fosse a pandemia, o Núcleo 2 teria levado a instalação multimídia com a série de performances presenciais para uma temporada de oito apresentações ao ar livre e promoveria duas exibições em espaço fechado. Contornando os obstáculos impostos pelo distanciamento social, as performances aconteceram em lives (no YouTube e Facebook) com os performers Andressa Maria, Ícaro Negroni, Reni Trombi e Savio D’Agostino, e o material captado foi incorporado ao site.

 Ao debruçar-se sobre o site, cada espectador poderá ter uma experiência distinta. O artista Jef Telles destaca que, a partir do hibridismo de linguagens presente na instalação, o ambiente virtual amplia as possibilidades de o público relacionar-se com a obra. “A videoarte, a fotografia, a narrativa binaural e as performances, captadas a partir de lives nas redes sociais, ajudam o público a construir seu próprio significado, como se cada uma dessas camadas fosse se complementando”, afirma. “A cada clique do espectador, compõe-se um novo capítulo, com uma nova linguagem”, acrescenta.

 O site com a instalação JARDINS DO FOTÚRETO também trará um minidocumentário sobre os conceitos e meios de desenvolvimento do projeto, que auxiliará o público a entender o universo surrealista em que a obra está inserida. Telles observa que transportar o projeto para uma plataforma virtual potencializou a experimentação já presente no trabalho do Núcleo 2.

 “Desenvolver um trabalho para o digital tem sido uma pesquisa interessante, rica e desafiadora. Acredito que a arte é feita de dificuldades e essas geram outras formas de comunicação. É um momento desses que atravessamos, e Jardins do Fotúreto propõe uma relação de interatividade. Antes, no plano físico, as pessoas teriam de se deslocar de suas casas, agora, terão a obra dentro de seus dispositivos móveis, notebooks, computadores, ou seja, um outro lugar, que muda a linguagem, a forma de comunicar, e buscamos fazer esse diálogo.”

 Sobre o Núcleo 2

O Agrupamento Núcleo 2 desenvolve sua pesquisa envolvendo a fusão de diversas linguagens artísticas dentro do campo das artes cênicas desde 2011. Seu primeiro trabalho nesse âmbito, “Processo: Metamorfose”, consistiu na produção de uma intervenção urbana, captada por um olhar cinematográfico e posteriormente transformada em uma obra audiovisual.

 Em 2013, o grupo apresenta “Quadrado”, espetáculo multimídia experimental. Dentro do universo híbrido, desenvolve o ambicioso projeto “Ensaios para Ninguém”, de 2015. Naquele ano, com a proposta de verticalizar ainda mais seus experimentos, o Núcleo 2 se assume como um coletivo multimídia de artes integradas.

 Em 2016, o grupo realiza, com a parceria do Sesc Rio Preto, a primeira edição do projeto “Teatrópolis”, que em 2019 teve como desdobramento a obra “Teatrópolis – A Casa de Noz”. Também produziu, entre outras obras, “Indo – O que Fizemos que Estamos” (Prêmio Nelson Seixas 2017) e “Galeria para Cemitérios” (ProAC Artes Integradas 2018).

 O coletivo nasceu em 2006, a partir de um grupo de alunos da antiga Escola Persona de Teatro, de São José do Rio Preto.

 

 

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