Inhotim abre celebração de 20 anos com três inaugurações inéditas

Dalton Paula, Reisado. Foto: Hangar

Mostras de Dalton Paula e davi de jesus do nascimento e nova escultura de Lais Myrrha marcam início do calendário comemorativo

O Instituto Inhotim inicia as comemorações de seus 20 anos, em 25 de abril, com três inaugurações que destacam diferentes pesquisas da arte contemporânea brasileira. A programação inclui a exposição panorâmica Dupla Cura, com mais de 100 obras de Dalton Paula, a individual Tororoma, de davi de jesus do nascimento, e a escultura inédita Contraplano (2026), criada especialmente para o museu por Lais Myrrha.

Com curadoria de Beatriz Lemos, Dupla Cura reúne trabalhos de diferentes momentos da trajetória de Dalton Paula, além de obras inéditas comissionadas para a instituição. Já Tororoma, com curadoria de Deri Andrade, foi concebida especialmente para a Galeria Nascente, espaço que passou por requalificação recente. A escultura Contraplano, desenvolvida sob curadoria de Douglas de Freitas, ocupa uma área de 250 m² em um dos pontos mais altos do parque, no eixo laranja de visitação.

As inaugurações contam com programação especial ao longo do dia, incluindo performance, visitas acompanhadas por curadores e artistas, além de atividades abertas ao público. A presença dos três artistas reforça o caráter colaborativo dos projetos, concebidos em diálogo direto com o território e a escala singular do museu.

A abertura marca o início de um calendário comemorativo que prevê, ao longo do ano, seis novas inaugurações e uma exposição dedicada à trajetória do Inhotim. Segundo a diretora artística Júlia Rebouças, a programação reafirma a vocação da instituição para desenvolver projetos inéditos em parceria com artistas, explorando novas materialidades, escalas e abordagens experimentais que ampliam o entendimento do papel do museu na arte contemporânea.

Dalton Paula

Dalton Paula

Com uma prática multidisciplinar que atravessa pintura, instalação, fotografia e vídeo, Dalton Paula investiga a presença e a construção da imagem de sujeitos negros na história brasileira e na diáspora africana. Inspirado por referências como quilombos, terreiros e tradições afro- brasileiras, o artista reimagina narrativas históricas e cria espaços de transformação simbólica, nos quais arte, memória e espiritualidade se entrelaçam.

A exposição Dupla Cura se organiza a partir de eixos recorrentes na produção do artista, como corpo negro, história, sagrado, território e cura, por meio de pinturas, documentos e trabalhos que evocam saberes ancestrais e práticas comunitárias. Ao revisitar arquivos, rituais e paisagens, Paula propõe novas formas de leitura da história e de reconstrução de memórias apagadas, transformando a arte em um gesto de cuidado, pertencimento e resistência.

Além de obras de diferentes períodos de sua trajetória, a mostra apresenta trabalhos comissionados especialmente para o museu. O projeto se desdobra em ações integradas com diferentes equipes do museu, como Natureza, Áreas Verdes, Educação e Território e o Ginga – Comitê de Equidade Racial do Inhotim, incluindo intervenções no jardim botânico e diálogos com comunidades quilombolas da região de Brumadinho. Dupla Cura conta com a Vale como Mantenedora Master e o patrocínio ouro da Vivo, por meio da Lei Rouanet.

davi de jesus do nascimento. Foto: Caio Esgario

davi de jesus do nascimento

A exposição Tororoma, de davi de jesus do nascimento, é uma instalação que reúne três pinturas e um vídeo gravado nas Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais. A obra foi comissionada pelo Inhotim e resulta de um processo de pesquisa que incluiu viagens do artista a localidades como Ilha do Ferro e Piranhas, em Alagoas.

A instalação conta ainda com carrancas produzidas pelo Mestre Expedito, importante nome da tradição popular, que não realizava novas peças há cerca de dez anos. No espaço expositivo, os diferentes elementos são organizados de forma a criar um ambiente contínuo, no qual imagens, objetos e vídeo se articulam em torno da ideia de fluxo e transformação, inspirada no movimento das águas e nas paisagens do sertão mineiro, em especial, o Rio São Francisco.

Lais Myrrha. Foto: Levi Fanan

Lais Myrrha

Em Contraplano, Lais Myrrha apresenta uma escultura comissionada de grande escala, que lida com a escala da paisagem e da arquitetura. A obra faz referência ao edifício projetado por Oscar Niemeyer para a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Ao deslocar essa estrutura para o Inhotim, a artista propõe um novo enquadramento para o território, aproximando elementos da arquitetura moderna da paisagem marcada pela mineração na região. A escultura também propõe uma leitura direta sobre o uso de materiais como concreto e aço, presentes tanto na construção civil quanto na exploração mineral, estabelecendo uma conexão entre cidade, indústria e meio ambiente.

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