A inauguração do Grande Museu Egípcio (GEM), em Gizé, reacendeu os apelos de egiptólogos e autoridades culturais pelo retorno da Pedra de Roseta, atualmente sob guarda do British Museum. O artefato, levado do Egito por tropas britânicas em 1801, foi essencial para o deciframento dos hieróglifos. Em entrevista à BBC, o ex-ministro das Antiguidades, Zahi Hawass, afirmou que chegou o momento de os museus europeus repararem os danos do passado colonial. “Quero duas coisas: que os museus parem de comprar artefatos roubados e que três obras retornem: a Pedra de Roseta, o Zodíaco de Dendera e o busto de Nefertiti”, declarou.
Outros estudiosos, como a arqueóloga Monica Hanna, reforçaram o apelo, destacando que a inauguração do GEM é um marco simbólico para reivindicações de restituição. Hanna, que cofundou em 2022 uma campanha pelo retorno da Pedra de Roseta, afirmou que o Egito está “preparado institucionalmente para solicitar oficialmente a repatriação das peças saqueadas durante o período colonial”. O novo museu, projetado ao longo de duas décadas e com investimento superior a US$ 1 bilhão, reúne mais de 50 mil artefatos, incluindo o acervo completo da tumba de Tutancâmon e uma réplica da própria Pedra de Roseta.
Em resposta, o British Museum afirmou não ter recebido nenhum pedido formal do governo egípcio e ressaltou sua colaboração de longa data com o Ministério do Turismo e das Antiguidades. A instituição também destacou que a devolução permanente de peças é restrita pelo British Museum Act de 1963, o mesmo que rege o impasse sobre os Mármores do Partenon. A Pedra de Roseta, descoberta em 1799 por soldados franceses na cidade de Rashid, segue sendo um dos mais emblemáticos vestígios do Egito Antigo — e um símbolo, cada vez mais contestado, das tensões entre patrimônio universal e restituição histórica.



