O Museu de Arte do Rio Grande do Sul — MARGS, instituição da Secretaria de Estado da Cultura — Sedac, assinala o seu aniversário de 70 anos, celebrado no dia 27.07.2024, retomando parcialmente a programação comemorativa iniciada ainda no ano passado e, ao mesmo tempo, implementando as ações de recuperação da instituição após os danos causados pela inundação do andar térreo na enchente deste ano em Porto Alegre.
Neste momento, o Museu está temporariamente fechado para o público, ainda sem previsão de reabertura para visitação, em razão dos trabalhos internos de restabelecimento da estrutura operacional do prédio. As ações estão sendo iniciadas com patrocínio de R$ 5,6 milhões do Banrisul, além de recursos do Estado por meio da Sedac, doações recebidas pelo Museu e iniciativas da Associação de Amigos — AAMARGS.
Em maio, quando o Rio Grande do Sul foi vitimado pelo maior desastre natural em sua história, a exposição comemorativa “MARGS 70 — Percursos de um acervo” acabou sendo interrompida. Inaugurada em março, originalmente programada para estar em exibição durante o aniversário do Museu ocupando a totalidade dos espaços expositivos do prédio, a mostra se dava como ponto de culminância de uma extensa programação iniciada ainda em 2023 em alusão aos 70 anos.
Com o MARGS ainda sem poder reabrir ao público por conta dos trabalhos internos de recuperação dos danos causados pela enchente e restabelecimento da operação museológica, a data de aniversário dos 70 anos será celebrada fora de casa, com uma exposição que retoma a programação alusiva.

Iberê Camargo, Estudo para a pintura Figura sentada, c.1953 | Acervo Fundação Iberê | FOTO: Fábio Del Re – VivaFoto
Exatamente no dia 27.07, próximo sábado, a partir das 14h, a Fundação Iberê Camargo inaugura a mostra “Iberê e o MARGS: trajetórias e encontros”.
Com curadoria de Francisco Dalcol, diretor-curador do MARGS, e Gustavo Possamai, responsável pelo Acervo da Fundação Iberê, e resultando de uma pesquisa inédita e em colaboração sobre a história de relação entre o artista e o Museu, o projeto estava em preparação há mais de um ano, como parte da programação comemorativa dos 70 anos apresentada por outras instituições.
A exposição “Iberê e o MARGS: trajetórias e encontros” aborda a longeva relação entre Iberê Camargo (1914- 1994) e o Museu, assinalando também a parceria entre ambas as instituições. Reunindo mais de 80 obras e documentos pertencentes às duas instituições, a mostra revisita exposições, publicações, eventos e ações que o MARGS realizou com e sobre Iberê.
Ao apresentar a extensa presença do artista nos acervos artísticos e documentais, o projeto também assinala o quão rica e profunda é a sua história com o Museu. Uma história que até aqui ainda não havia sido plena e devidamente contada, como demonstra a extensa cronologia desenvolvida em colaboração entre as equipes do MARGS e da Fundação Iberê para a exposição e o seu catálogo.
Iberê é o artista que mais expôs no MARGS, com sete exposições individuais e mais de cem coletivas. Participa já da mostra de estreia do Museu, em 1955, tendo na ocasião obras suas adquiridas para o acervo. Nas décadas seguintes, também ganharia livro monográfico, ministraria cursos, participaria de ações e iniciativas do Museu e protagonizaria debates públicos. Teria ainda o ingresso de outras obras suas no acervo (através de compra, transferência e doação), além de um espaço de guarda de parte de seu arquivo pessoal, o qual destinou à instituição em 1984. Foi também no MARGS que ocorreria a sua despedida, com o velório público que teve lugar nas Pinacotecas, o mais nobre e solene espaço do Museu.

Iberê Camargo, Sem título, 1943/1944 | Acervo Fundação Iberê | FOTO: Fábio Del Re – VivaFoto
Em 2004, parte da documentação doada por ele foi transferida para a Fundação Iberê, em um contexto já de colaboração institucional, celebrada à época, no MARGS, com a exposição “Iberê Camargo – Uma perspectiva documental”. Ainda assim, o Acervo Documental do Museu possui hoje mais de 10 mil páginas relacionadas a Iberê, incluindo o mais expressivo e volumoso conjunto da coleção denominada “Dossiês de artistas”. Recentemente, foi concluído o extenso processo de digitalização que contemplou esse amplo conjunto documental sobre o artista, disponibilizando-o publicamente e em meio on-line no repositório Tainacan do MARGS.
Vem desse longevo e profundo histórico de relação o título da exposição, inspirado em um dos mais importantes acontecimentos no MARGS relacionados ao artista: a mostra Iberê Camargo: trajetória e encontros. Realizada em cooperação com a Funarte em 1985, cumpriria itinerância pelo museu de Arte de São Paulo – MASP, museu de Arte moderna do Rio de Janeiro e Galeria do teatro Nacional de Brasília, celebrando Iberê como o maior pintor vivo do Brasil.


