Halloween: relembre as fotografias mais assustadoras da história

Grupo de jovens pioneiros, versão comunista dos escoteiros, posando para um exercício de defesa química. Foto por Viktor Bulla, 1937. Domínio público, via Wikimedia Commons

Desde os primeiros dias da fotografia, o sombrio sempre exerceu um certo fascínio. Muito antes das produções de terror e das decorações extravagantes do Halloween contemporâneo, as lentes dos pioneiros da imagem já capturavam visões inquietantes: fantasmas de longa exposição, expressões graves e uma aura de mistério que o tempo apenas intensificou. As limitações técnicas das câmeras do século XIX, como a necessidade de longos tempos de exposição, somadas à rigidez das poses e à solenidade dos retratos, criaram registros que hoje parecem saídos de um pesadelo. Nesta seleção, revisitamos algumas das imagens mais perturbadoras da história da fotografia.

O fotógrafo soviético Viktor Bulla registrou, em 1937, uma cena que parece saída de um filme de terror: um grupo de jovens pioneiros, versão comunista dos escoteiros, posando para um exercício de defesa química. Vestidos com máscaras de gás e uniformes militares, os adolescentes emergem da paisagem como figuras apocalípticas, um exército infantil de rostos ocultos, entre o heroísmo e o medo.

Foto por Eugène Cattin. ArCJ, 137 J 477 b, Domínio público, via Wikimedia Commons.

Mais perturbadores ainda são os retratos póstumos, nos quais familiares posavam ao lado de parentes mortos, especialmente crianças. O fotógrafo francês Eugène Cattin tirou esta foto de uma criança falecida. A família pode ter aberto os olhos do menino para dar a aparência da vida.

Foto típica da era vitoriana mostrando uma família com sua filha morta. via Wikimedia Commons.

A longa exposição requerida para fotografar na época fazia com que as pessoas ficassem borradas no registro. Os mortos, porém, imóveis, sem o tremor natural dos vivos, conferiam às fotos uma nitidez cruel. A prática, destinada a preservar a memória dos entes queridos, resultou em imagens de beleza trágica e de um assombro que atravessa os séculos.

Uma viúva de luto e seus filhos (1900).

Entre os vitorianos, no século XIX, a atmosfera lúgubre era quase cotidiana. Retratos de luto, como o de uma viúva vestida de preto, ladeada por seus filhos, revelam um gosto pela solenidade que beira o macabro. Nesta, a expressão serena da mulher, em contraste com o tema da perda, sugere algo de inquietante, como se a dor tivesse se transformado em orgulho.

Fachada n°19 nas Catacumbas de Paris, fotografada por Félix Nadar em 1861. Via Bibliothèque nationale de France.

Nas profundezas das catacumbas de Paris, o fotógrafo Félix Nadar realizou, no século XIX, um dos registros mais sombrios da história da imagem. Sem acesso à luz artificial, ele desceu aos túneis subterrâneos em completa escuridão, iluminando o ossuário apenas com tochas. O resultado foi a primeira documentação fotográfica desse “reino dos mortos”: corredores de crânios e fêmures que se estendem como um monumento à finitude.

“Cinco ‘espíritos’ ao fundo com uma fotografia no centro da mesa com um guardanapo” (1861-1868), atribuído a William H. Mumler ou Helen F. Stuart. Domínio Público via Getty Museum.

Já nos Estados Unidos, após a Guerra Civil, o interesse pelo além ganhou forma através da fotografia espiritual. Figuras etéreas surgiam ao lado dos vivos, supostamente revelando visitas de entes falecidos. Entre os fotógrafos que exploraram esse fenômeno, William H. Mumler se destacou e foi acusado de fraude. Ainda assim, suas imagens, com sombras translúcidas e aparições sutis, continuam a provocar o mesmo arrepio entre o engano e o mistério.

“A student’s dream”, esqueleto em pé se junta a cadáveres sentados para dissecar um estudante de medicina adormecido. Foto por Robinson, A. A., 1906. Via Harvard Countway Library.

Encerrando essa galeria de horrores, uma fotografia mais irônica, mas não menos inquietante: um esqueleto de pé observa um grupo de cadáveres prestes a dissecar um estudante de medicina. A cena, de humor mórbido, sintetiza o fascínio humano pelo limite entre a vida e a morte e nos lembra que, desde os primórdios da fotografia, o medo também sempre quis ser visto.

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