A Galeria Uffizi, em Florença, entrou com uma ação legal contra a grife Jean Paul Gaultier por vender várias peças de vestuário decoradas com o Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli, uma das principais obras de sua coleção.
Uma imagem recortada da Vênus aparece em peças como lenço, saia, camiseta e calça. Os itens fazem parte da coleção “Le Musée” da casa de moda francesa, que também usa As Três Graças de Peter Paul Rubens, que está na coleção do Museu do Prado, e A Criação de Adão do teto da Capela Sistina, de Michelangelo. A casa de moda disse que esperava criar um “tríptico em ode ao Renascimento”.
Em comunicado divulgado hoje, a Uffizi alegou que seu escritório jurídico enviou a Jean Paul Gaultier uma carta de notificação formal em abril solicitando que retirasse as peças de vestuário do mercado ou entrasse em contato o mais rápido possível para fazer uma transação comercial, acordo que “remediaria o abuso cometido”.
O museu passou a alegar que foi forçado a tomar medidas legais depois que a carta foi ignorada. A casa de moda não se pronunciou sobre o caso.
Embora a obra em questão, que foi pintada durante a década de 1480, seja de domínio público e, portanto, livre de direitos autorais, o Codice dei Beni Culturali da Itália (Código do Patrimônio Cultural) ainda protege o extenso patrimônio cultural do país do uso comercial.
O código estipula que deve ser concedida autorização para o uso de imagens de bens culturais públicos da Itália e uma taxa de licença também deve ser paga.
Um caso semelhante aconteceu ano passado, quando o Pornhub apresentou o Nascimento de Vênus em um guia online de arte erótica em museus. A empresa respondeu rapidamente à carta do museu ameaçando ação legal, removendo qualquer referência ao trabalho de seu site.
Não é a primeira vez que a Vênus de Botticelli aparece na passarela. O mesmo trabalho já apareceu em um top de malha transparente na coleção S/S 1995 de Jean Paul Gaultier.


