Sindicato marcou para 5 de outubro o início da paralisação caso não haja acordo sobre salários e custos de saúde; retrospectiva do artista abre ao público seis dias depois
Funcionários sindicalizados do Whitney Museum of American Art, em Nova York, planejam entrar em greve a partir de 5 de outubro caso não cheguem a um acordo considerado satisfatório com a instituição. A data foi definida poucos dias antes da abertura de Roy Lichtenstein: Like New, retrospectiva dedicada ao artista norte-americano, cuja prévia para imprensa e membros está marcada para 7 de outubro e a abertura ao público para o dia 11.
O impasse envolve principalmente salários. O contrato coletivo firmado entre o museu e os funcionários organizados pelo UAW Local 2110, o primeiro acordo entre as partes, expirou em junho. Durante seus três anos de vigência, o piso para funcionários em início de carreira passou de US$ 17 para US$ 24 por hora, além de mudanças em segurança no emprego, desenvolvimento profissional, benefícios e medidas de segurança ambiental. Para a nova negociação, porém, o sindicato reivindica que o salário-base dos empregados em período integral alcance cerca de US$ 71 mil anuais, valor apontado em um relatório divulgado pela prefeitura de Nova York como necessário para que um adulto sem filhos tenha condições de viver de maneira sustentável na cidade.
“Preferiríamos estar trabalhando e fazendo nosso trabalho, mas nossos salários são insustentáveis para viver em Nova York”, afirmou Derrick Charles, presidente do sindicato e funcionário do departamento de experiência do visitante e associações. Charles trabalha no Whitney desde 2018 e recebe atualmente US$ 24 por hora, atuando no saguão do museu com venda de ingressos e associações, além do atendimento ao público.
A assistência médica também está entre os pontos de tensão. Funcionários afirmam que o custo dos planos aumenta significativamente quando dependentes são incluídos. Micah Musheno, gerente de licenciamento que trabalha no Whitney há nove anos, disse que os empregados com famílias arcam com 15% a 20% do valor do prêmio do plano. “São milhares de dólares por ano para pessoas que já estão enfrentando dificuldades”, afirmou Musheno no comunicado divulgado pelo sindicato.
A paralisação ocorre em um momento particularmente sensível para o calendário do museu. A exposição de Lichtenstein reúne uma retrospectiva de grande porte dedicada ao artista associado à Pop Art e chega ao público poucos dias depois do prazo estabelecido pelos trabalhadores. Funcionários sindicalizados do Brooklyn Museum e do American Folk Art Museum também autorizaram greves, embora ainda não tenham anunciado datas. No Solomon R. Guggenheim Museum, trabalhadores aprovaram em junho uma autorização semelhante para uma eventual paralisação.


