Oito trajes do acervo pessoal do cantor serão exibidos em Londres a partir de outubro, em uma mostra que marca os 80 anos que Mercury completaria em 2026
Oito figurinos usados por Freddie Mercury chegam ao Victoria and Albert Museum, em Londres, no outono europeu, em uma exposição que percorre diferentes momentos da carreira do vocalista do Queen. Entre as peças estão o conjunto monocromático fotografado para a capa do primeiro álbum da banda, o catsuit usado no vídeo de Bohemian Rhapsody e a coroa com capa da última turnê do grupo. A mostra gratuita, intitulada Freddie Mercury | Splendid Things, poderá ser visitada de 24 de outubro de 2026 a 17 de janeiro de 2027.
O projeto foi desenvolvido em parceria com Mary Austin, ex-noiva e amiga próxima de Mercury, que empresta sete dos oito looks. As roupas cobrem um arco que vai dos anos 1970 aos últimos anos do artista. Entre os destaques está o chamado “Mercury Wing”, um catsuit criado por Wendy de Smet e usado na turnê de A Night at the Opera, em 1975 e 1976, além de aparecer no vídeo de “Bohemian Rhapsody”. Também estará em exibição o conjunto de coroa e capa desenhado por Diana Moseley para a Magic Tour, de 1986. Mercury usou o figurino no último show do Queen, em Knebworth, naquele ano.
A seleção inclui ainda uma roupa vista no clipe de “Made in Heaven”, acessórios e peças do guarda-roupa pessoal do cantor. O título da exposição recupera uma frase dita por Mercury em 1978, quando afirmou gostar de estar cercado por “coisas esplêndidas” e querer levar uma vida vitoriana, rodeado de objetos requintados. A montagem ficará a cargo de Tom Piper, responsável por projetos para a Royal Shakespeare Company e por exposições anteriores do próprio V&A, incluindo Alice: Curiouser and Curiouser e Taylor Swift | Songbook Trail. Os seis pontos do percurso terão cenários, som e iluminação próprios, recriando episódios e atmosferas da trajetória de Mercury.
A relação entre Mercury e Austin começou quando os dois trabalhavam no circuito ligado à moda de Kensington. Ela tinha 19 anos, ele, 24. Nascido Farrokh Bulsara, em 5 de setembro de 1946, em Zanzibar, Mercury vendia desenhos e roupas vintage em uma banca no Kensington Market. Eles ficaram noivos no Natal de 1973, ano em que o Queen lançou seu álbum de estreia. O relacionamento terminou em meados da década de 1970, mas a amizade permaneceu até a morte do cantor, em 1991. Mercury deixou a Austin sua casa em Kensington, Garden Lodge, além de seus bens.
Para Austin, as roupas eram parte fundamental da construção do personagem que Mercury levava ao palco. “Freddie entendeu cedo que não estava apenas vestindo roupas, estava criando uma imagem à altura do espaço e da imensidão da multidão”, afirmou em A Life in Lyrics, livro com publicação prevista para setembro. Ela também define os figurinos como parte essencial da visão criativa e da expressão pessoal do músico. Kate Bailey, curadora sênior de teatro e performance do V&A, diz que a exposição vai explorar justamente esse “amor pelas coisas esplêndidas” e o interesse de Mercury por arte, design e moda.


