O artista de Los Angeles Ian James passou a última década registrando construções piramidais em todo o território norte-americano. O resultado é o livro Pyramids: Special Zones of Economic Vortex of North America, que reúne imagens de mais de 75 estruturas em quase 20 estados, de igrejas mórmons em Utah a complexos esportivos no Arizona, além de museus, prédios corporativos e até um Walmart no Canadá.
O interesse de James pelo tema surgiu em 2017, ao visitar o desativado Complexo de Salvaguarda Stanley R. Mickelsen, em Dakota do Norte — um projeto militar da Guerra Fria que lembra uma pirâmide egípcia inacabada. Fascinado pelo caráter enigmático da arquitetura, ele passou a viajar em busca dessas formas, fotografando-as com câmeras de grande formato para destacar sua presença monumental e ao mesmo tempo deslocada no espaço urbano e rural.
Segundo James, essas pirâmides contemporâneas dialogam com crenças da Nova Era, frequentemente associadas a energia e espiritualidade, mas também revelam uma dimensão mais ampla: aquilo que ele chama de “metafísica capitalista”, em que símbolos antigos são apropriados para encarnar os valores do consumo e do laissez-faire americano. O livro propõe, assim, uma reflexão sobre a interseção entre arquitetura, economia e imaginário místico.



