A renomada fotógrafa Nan Goldin voltou a se pronunciar publicamente sobre a guerra em Gaza, desta vez durante uma conversa no festival de fotografia Rencontres d’Arles, na França. Vencedora do prêmio Women in Motion, concedido pelo grupo Kering, Goldin subiu ao palco do Théâtre Antique ao lado do escritor francês Édouard Louis, com quem dividiu a leitura de uma declaração crítica ao conflito. “Dizemos que isso é horrível, e achamos que basta dizer isso. Mas não é o suficiente”, afirmou Louis. “Nosso próprio campo nos traiu.”
Durante a fala, uma espectadora reagiu com indignação às palavras de Goldin, gritando “isso não é verdade”. A artista respondeu de forma firme: “É verdade. No dia 7 de outubro, 1.300 civis israelenses foram mortos. Agora, 75 mil foram mortos. De quem é a vida que importa?” A declaração, seguida de aplausos, fez parte de um discurso mais amplo no qual Goldin alertou para a confusão entre antissionismo e antissemitismo. “Isso é conveniente para Israel, mas torna o crescimento do antissemitismo real ainda mais perigoso. O antissionismo tem sido usado como arma para silenciar qualquer crítica às ações violentas do governo israelense”, afirmou.
Goldin já havia se posicionado de forma contundente sobre o conflito em outras ocasiões, incluindo a abertura de sua retrospectiva na Neue Nationalgalerie, em Berlim, no ano passado. Na ocasião, criticou o ambiente de censura enfrentado por artistas pró-Palestina na Alemanha, e evocou declarações da ONU, do Tribunal Penal Internacional e até do Papa ao usar o termo “genocídio” — palavra que, segundo ela, muitos evitam. “Temos medo de ouvir isso, Alemanha?”, questionou, em seu discurso.
Veja o vídeo da fala de Goldin em sua postagem no instagram.


