A nova exposição do Costume Institute, anunciada pelo Metropolitan Museum of Art para a primavera de 2026, já provoca controvérsia antes mesmo de abrir. Intitulada Costume Art, a mostra promete “revelar a relação inerente entre a roupa e o corpo”, segundo o próprio museu. A proposta, porém, foi recebida com ironia pela colunista do portal Hyperallergic, Lisa Yin Zhang, que criticou tanto a vagueza conceitual quanto o tom grandiloquente do anúncio. O projeto prevê a articulação de 200 obras do acervo com 200 peças de vestuário, mas foi o destaque dado ao patrocínio de Jeff Bezos e Lauren Sánchez Bezos que despertou maior ceticismo.
Para Zhang, o patrocínio bilionário evidencia tensões antigas entre moda, poder e mercado, ainda mais em um contexto no qual marcas de luxo e conglomerados midiáticos moldam narrativas culturais. Ela observa que o anúncio “quase nada diz” sobre o conteúdo real da exposição, ao mesmo tempo em que deixa claro o peso dos financiadores — incluindo Saint Laurent e Condé Nast, cuja nova galeria de 12 mil pés quadrados será inaugurada justamente com esta mostra. A crítica também questiona as ausências previsíveis: discussões sobre cadeias produtivas globais, impactos ambientais, trabalho precarizado ou a concentração de poder econômico por trás da própria indústria da moda.
Zhang ainda lembra que o cenário não é isolado, citando a recente turbulência editorial em torno da saída de Anna Wintour da Vogue e a ascensão de Lauren Sánchez Bezos como figura de destaque no circuito cultural. Para a colunista, o risco não é apenas uma exposição “politicamente esvaziada”, mas a crescente subordinação das instituições artísticas a interesses financeiros. Apesar disso, ela reconhece que o resultado pode ser visualmente atraente e bem executado, graças ao trabalho de curadores e equipes técnicas comprometidas — profissionais que, segundo ela, “têm muito mais em comum com o público do que com os Bezoses”, e que continuam a sustentar, com ética e esforço, a relevância da arte contemporânea.


