O Cavalo na Arte Sino-Brasileira reúne obras e empréstimos de coleções brasileiras e chinesas no Museu da Energia e integra a programação do Brasinês – Festival Internacional Sino-Brasileiro
A presença do cavalo atravessa séculos de história da arte. Associado à força e ao movimento, ao trabalho e à guerra, ao poder e à liberdade, o animal aparece em diferentes tradições visuais e assume significados que se transformam conforme o tempo e a cultura. É a partir desse repertório compartilhado que a exposição O Cavalo na Arte Sino-Brasileira propõe um encontro entre produções artísticas do Brasil e da China, em São Paulo.
A mostra integra o Brasinês – Festival Internacional Sino-Brasileiro e ocupa o Museu da Energia de São Paulo, antiga residência de Henrique Dumont, irmão de Alberto Santos Dumont. Com obras originais e empréstimos de instituições e coleções dos dois países, a exposição toma a figura do cavalo como eixo para aproximar diferentes tradições, períodos e maneiras de representação.
Entre os trabalhos contemporâneos está Cavaleiro (2026), de Qiao Xiangwei, uma das artistas presentes no projeto. Ao lado da produção atual, o conjunto incorpora peças históricas provenientes de acervos institucionais e particulares, construindo um percurso no qual a recorrência de um mesmo motivo permite observar aproximações e diferenças entre imaginários separados geograficamente.

Flávia Junqueira, Palacio de Santoña, 1730 #3
O cavalo entre força e movimento
Mais do que procurar uma equivalência entre as tradições artísticas brasileira e chinesa, a exposição parte de uma imagem reconhecível em ambas para investigar suas diferentes possibilidades.
O cavalo carrega uma longa tradição iconográfica. Sua anatomia, velocidade e relação com o movimento fizeram dele um tema recorrente para artistas, enquanto sua presença na organização das sociedades lhe conferiu significados políticos, econômicos e simbólicos.
Em O Cavalo na Arte Sino-Brasileira, essas dimensões são colocadas em diálogo. A proposta curatorial explora justamente a coexistência de características aparentemente opostas — potência e graça, força e elegância — para observar como diferentes artistas transformaram o animal em imagem.
A escolha permite que a exposição seja compreendida menos como uma comparação direta entre dois países e mais como um percurso construído em torno de um motivo comum. O cavalo permanece, mas sua representação muda conforme o artista, a época e o contexto cultural.
Obras de diferentes acervos em um mesmo percurso
Um dos aspectos centrais do projeto é a reunião temporária de trabalhos provenientes de diferentes coleções. Segundo a organização, a exposição conta com empréstimos do MASP, do Museu do Ipiranga, do Museu Oscar Niemeyer e do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, além de obras pertencentes a coleções privadas da China e do Brasil.
Essa combinação permite aproximar produção histórica e contemporânea sem restringir o percurso a uma única linguagem ou período.
A presença de obras provenientes de acervos distintos também reforça o caráter temporário da montagem. Trabalhos que habitualmente pertencem a contextos e coleções separados passam a compartilhar o mesmo espaço, reunidos pela recorrência do cavalo e pelas relações que podem ser estabelecidas entre suas representações.

Hua Tunan, Compasso e Ser Poderoso, 2026.
Um encontro entre imaginários brasileiros e chineses
A exposição é um dos principais eixos do Brasinês – Festival Internacional Sino-Brasileiro, projeto que procura criar aproximações entre as culturas brasileira e chinesa por meio das artes e de outras manifestações culturais.
O próprio cavalo funciona como elemento de ligação dessa programação. Além de sua presença histórica nas artes, o festival relaciona o animal ao Cavalo de Fogo, referência da astrologia chinesa associada a um ciclo que ocorre a cada 60 anos.
Essa dimensão simbólica se soma à abordagem artística da exposição e reaparece em outras atividades do festival. Em vez de permanecer restrito às salas expositivas, o tema se desdobra em encontros que atravessam literatura, música e experiências culturais.
Quando a poesia atravessa os dois países
Entre esses desdobramentos está A Poesia no Imaginário Sino-Brasileiro, programação dedicada às relações entre as tradições literárias dos dois países.
O encontro, que acontece no Espaço UM55 (O Underground), na Rua Epitácio Pessoa, 155, no Centro de São Paulo, no dia 26 de Setembro, aborda, entre outros aspectos, a presença do Oriente na poesia brasileira e o interesse pelos ideogramas como elementos capazes de aproximar palavra, imagem e organização espacial do poema.
A escritora e tradutora Júlia Raiz realiza uma leitura de Diário: a mulher e o cavalo, retomando o motivo que percorre o festival. A programação inclui ainda recital bilíngue em português e mandarim, com tradução simultânea, e participações dos poetas e escritores Vanderley Mendonça, Celso de Alencar, Mar Becker, Vitor Miranda e Henrique Pitt. A música aparece com o duo formado por Gabriela Câmara e Arthur Scarpine.
Nesse contexto, a aproximação sino-brasileira deixa de acontecer somente por meio das artes visuais e passa também pela palavra, pela tradução e pela circulação de referências entre idiomas e tradições distintas.
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O Experimento aproxima poesia, tradução e música
As relações entre Brasil e China se desdobram também para a literatura em O Experimento, encontro que apresenta A Poesia no Imaginário Sino-Brasileiro. A proposta investiga aproximações entre as duas tradições poéticas, passando pela influência do Oriente nas letras brasileiras e pelo interesse nos ideogramas, que contribuíram para pensar o poema também como construção visual e espacial.
O cavalo volta a aparecer como fio condutor da programação. A escritora e tradutora Júlia Raiz realiza uma leitura de Diário: a mulher e o cavalo, estabelecendo uma conexão com o tema do Cavalo de Fogo que atravessa o festival. O encontro inclui ainda um recital bilíngue em português e mandarim, com tradução simultânea, ampliando o diálogo entre palavra, sonoridade e diferentes formas de tradução cultural.
Participam também os poetas e escritores Vanderley Mendonça, Celso de Alencar, Mar Becker, Vitor Miranda e Henrique Pitt, além do duo de voz e violão formado por Gabriela Câmara e Arthur Scarpine. Dessa forma, O Experimento amplia para a palavra e para a música o encontro entre imaginários que a exposição constrói inicialmente por meio das artes visuais.
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A exposição depois do fechamento do museu
Outra ação associada à mostra é Arte Depois das Seis, que propõe uma experiência noturna de O Cavalo na Arte Sino-Brasileira, das 18h às 21h30. Fora do horário convencional de visitação, o público poderá percorrer a exposição em um ambiente mais reservado, acompanhado por música ao vivo e ativações culturais.
A programação inclui ainda um brinde de boas-vindas com champanhe Piper e acesso ao Café Galope, com menu desenvolvido para a ocasião. A proposta transforma a visita à exposição em uma experiência que aproxima artes visuais, música e gastronomia, ampliando a programação do Brasinês para além da visitação convencional.
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Cavalo de Fogo. Brasinês – Festival Internacional Sino-Brasileiro.
Um mesmo motivo, diferentes culturas
É justamente a capacidade de uma imagem atravessar contextos que sustenta O Cavalo na Arte Sino-Brasileira. Em vez de tentar condensar tradições tão extensas quanto as do Brasil e da China, a exposição estabelece um ponto específico de encontro e permite que as diferenças permaneçam visíveis.
O cavalo torna-se, assim, uma espécie de fio condutor. De obras históricas a trabalhos realizados em 2026, suas diferentes representações permitem observar como um mesmo animal pode carregar ideias de movimento, poder, elegância, espiritualidade e transformação.
Ao reunir temporariamente esses trabalhos em São Paulo, o Brasinês transforma a recorrência dessa figura em oportunidade para colocar dois imaginários em contato — não para torná-los equivalentes, mas para observar o que acontece quando suas imagens passam a dividir o mesmo espaço.
A exposição O Cavalo na Arte Sino-Brasileira fica em cartaz de 18 de setembro a 22 de novembro de 2026, no Museu da Energia de São Paulo, reunindo obras de artistas brasileiros e chineses em torno das diferentes representações do cavalo na arte.


