Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, afirmam ter encontrado elementos figurativos ocultos nas pinturas abstratas de Jackson Pollock (1912-1956). O estudo, publicado na revista CNS Spectrums e liderado pelo psiquiatra Stephen M. Stahl, sugere que a técnica de drip painting do artista pode ter disfarçado imagens enigmáticas, como figuras de macacos, palhaços e garrafas. Os cientistas cunharam o termo “Polloglifos” para descrever essa possível simbologia escondida.
A relação de Pollock com a psicologia reforça essa teoria. O artista passou por psicoterapia e teve contato com os conceitos de Carl Jung sobre arquétipos e simbolismo, além de estar inserido no meio intelectual nova-iorquino, onde a psicanálise era um tema recorrente. Sua principal mecenas, Peggy Guggenheim, circulava entre os surrealistas, que viam o inconsciente como fonte criativa do pintor.
Os pesquisadores sugerem que, ao girar algumas obras de Pollock, é possível identificar formas reconhecíveis, como um soldado armado e um “Anjo da Misericórdia”. Eles também levantam a hipótese de que Pollock poderia ter transtorno bipolar, o que teria influenciado sua capacidade criativa e a recorrência de certos padrões em suas obras. Se essas imagens foram intencionais ou fruto do subconsciente do artista, continua sendo uma questão aberta à interpretação.


