Curadoria de Cenografias do Avesso selecionará 35 projetos para a mostra estudantil da 16ª edição do evento, com foco na diversidade territorial e nas práticas cênicas fora do eixo dominante
A produção brasileira de estudantes de artes da cena terá uma nova vitrine internacional em Praga. Está aberta a convocatória para a Mostra dos Estudantes da 16ª Quadrienal de Praga, que selecionará 35 projetos para integrar a exposição organizada pela equipe curatorial Cenografias do Avesso. A proposta parte de uma pergunta simples, mas de amplo alcance, sobre quais práticas e conhecimentos costumam ficar fora das narrativas oficiais da cenografia brasileira.
À frente da curadoria estão Cleiton Almeida, Mayara Assis, Mery Horta e Yasmin Coelho, que propõem uma exposição menos interessada em hierarquias do que em relações. A mostra será pensada como um espaço expositivo e performativo, no qual diferentes formas de presença possam coexistir. “A proposta de curadoria do Cenografias do Avesso se configura como um campo de experimentação”, afirma Yasmin Coelho. Para ela, presença e ausência, som e silêncio, matéria e memória entram em tensão dentro da exposição, criando outras possibilidades de leitura para as artes da cena.
A escolha do tema conversa diretamente com a 16ª Quadrienal de Praga, dedicada a Ausências e Silêncios como espaços de potencial para futuros cenográficos. Em vez de tratar o silêncio como lacuna, a curadoria brasileira o encara como consequência de processos históricos de apagamento e, ao mesmo tempo, como espaço de escuta e criação. Daí o interesse por práticas desenvolvidas em festas populares, rituais, ruas, terreiros e outros ambientes coletivos, onde espaço, corpo, objeto e som frequentemente se misturam sem obedecer às fronteiras tradicionais da cenografia.
A convocatória também pretende escapar da concentração geográfica que costuma marcar a circulação da produção cultural brasileira. A seleção busca reunir projetos de diferentes regiões e contextos, incorporando perspectivas afro-indígenas, práticas periféricas e formas de criação desenvolvidas em situações de escassez e improvisação. “Ao integrar a Quadrienal de Praga, a proposta inscreve no debate internacional perspectivas oriundas do Sul Global”, afirma Cleiton Almeida, artista e curador nascido em Rondônia. A intenção é apresentar a produção brasileira como um território múltiplo, no qual diferentes corporalidades, tecnologias e modos de organizar o espaço produzem conhecimento.
O processo não termina na escolha dos trabalhos. A equipe prevê oficinas, debates públicos e acompanhamento dos participantes, reforçando o caráter pedagógico da iniciativa. Para Mery Horta, a curadoria deve funcionar também como uma prática de escuta e mediação, e não apenas como um mecanismo de seleção. As inscrições para a Mostra dos Estudantes podem ser feitas até 31 de outubro de 2026. Clique aqui e inscreva-se.


