Um estudo recente publicado no Journal of Cultural Heritage alerta que a elevação do nível do mar e as inundações costeiras podem comprometer parte do Parque Nacional Rapa Nui, no Chile, até 2080. O local, reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, abriga cerca de mil moais, esculturas monumentais erguidas há mais de 500 anos por uma comunidade polinésia. Com dimensões imponentes — o maior alcança dez metros de altura e pesa até 80 toneladas —, essas figuras de tufo vulcânico estão entre os mais emblemáticos símbolos da Ilha de Páscoa.
Pesquisadores da Universidade do Havaí utilizaram modelos avançados para simular ondas e mapear os riscos de alagamento em diferentes cenários futuros. O estudo identificou que ao menos 51 artefatos de relevância cultural estão sob ameaça, incluindo o icônico conjunto de Ahu Tongariki. “Esta pesquisa revela um risco crítico à cultura viva e à própria subsistência de Rapa Nui”, afirmou Noah Paoa, autor principal do trabalho. Segundo ele, além de reforçarem a identidade local e a revitalização das tradições, os moais sustentam a principal atividade econômica da ilha: o turismo.
O desafio enfrentado pelos habitantes de Rapa Nui reflete uma preocupação global de áreas costeiras expostas à crise climática. Com base nos dados coletados, os pesquisadores pretendem elaborar, junto às comunidades locais, um plano de mitigação que proteja o patrimônio cultural e evite que o sítio arqueológico perca seu status de Patrimônio da Humanidade. Apesar das ameaças recentes, como a erupção vulcânica que também danificou algumas esculturas, novas descobertas continuam emergindo: em 2023, arqueólogos identificaram moais até então desconhecidos, revelando a complexa e resiliente herança cultural da ilha.


