Ex-número dois do High Museum, de Atlanta, se declara inocente de esquema que envolvia notas fiscais adulteradas
Brady Lum, que ocupou o cargo de diretor de operações (COO) do High Museum of Art, em Atlanta, se declarou inocente nesta terça-feira (15) diante de uma acusação federal de desvio de recursos da instituição. O caso, que veio à tona em fevereiro, aponta que o executivo de 59 anos teria saído do museu em dezembro passado após uma investigação interna concluir que ele foi responsável por desviar cerca de US$ 600 mil ao longo de vários anos.
Durante a audiência de acusação em tribunal federal na capital da Geórgia, o Ministério Público para o Distrito Norte do estado detalhou o esquema. Segundo a denúncia, Lum manipulava registros financeiros e autorizava compras indevidas para proveito pessoal — incluindo instrumentos musicais de luxo, aulas particulares e equipamentos para marcenaria.
“Enquanto estava incumbido de administrar o High Museum, Lum supostamente usou o dinheiro do museu como se fosse um fundo pessoal, traindo uma das joias da coroa cívica de Atlanta”, afirmou em nota o procurador Theodore S. Hertzberg. “Vamos agir com rapidez e precisão para processar indivíduos que abusam de posições de poder e confiança para se enriquecer às custas de instituições sem fins lucrativos.” De acordo com a denúncia, o executivo mascarava os gastos não autorizados ao enviar “faturas alteradas”. Depois, usava sua própria autoridade para aprovar as despesas e, em seguida, recorria a “ajustes contábeis” para distribuir os valores por diferentes centros de custo.
No tribunal, Lum informou ao juiz que está desempregado atualmente e foi orientado a buscar trabalho enquanto aguarda o desenrolar do caso sob fiança. Seu advogado, Don Samuel, disse ao Atlanta Journal-Constitution que o cliente não tem nada a declarar sobre o processo por enquanto. A investigação interna partiu do Woodruff Arts Center, organização que administra não apenas o High Museum, mas também a Orquestra Sinfônica de Atlanta e o Alliance Theatre. Em fevereiro, o conselho da entidade votou pelo envio do caso à promotoria federal após as irregularidades virem à tona. A presidente do Woodruff, Hala Moddelmog, já havia afirmado ao mesmo jornal que a instituição acredita que Lum agiu sozinho e que o suposto desvio não comprometeria as operações do museu. O High Museum, segundo ela, segue financeiramente estável.
Lum ocupou o cargo de COO de janeiro de 2019 até sua saída em dezembro passado. Conforme o formulário fiscal do Woodruff Arts Center referente a 2024, ele embolsou US$ 312.374 naquele ano fiscal, sendo o quinto funcionário mais bem pago da organização. A data do julgamento ainda não foi marcada.


