Investigação sobre o assalto à Biblioteca Mário de Andrade avança e revela um nome já conhecido no histórico de crimes contra o patrimônio cultural brasileiro
A Polícia Civil de São Paulo identificou o homem apontado como mentor do roubo que levou treze obras de arte da Biblioteca Mário de Andrade, no centro da capital paulista, em dezembro do ano passado. Segundo as autoridades, Laéssio Rodrigues de Oliveira Silva teria coordenado a ação que resultou no desaparecimento de oito gravuras de Henri Matisse, pertencentes à célebre série Jazz (1947), além de cinco ilustrações de Candido Portinari produzidas para a edição de Menino de Engenho, de José Lins do Rego. As obras foram arrancadas de vitrines e paredes por criminosos armados durante o horário de funcionamento da instituição e, até o momento, não foram recuperadas.

Laéssio Rodrigues de Oliveira Silva © Reprodução / TVGlobo
A trajetória de Laéssio já era conhecida pelas forças de segurança e por especialistas em patrimônio cultural. Preso desde abril deste ano, após ser acusado de tentar subornar um vigilante do Instituto Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, ele acumula condenações relacionadas ao furto de livros raros e documentos históricos. Entre os casos atribuídos ao suspeito estão roubos em instituições como a Fundação Biblioteca Nacional, a Universidade de São Paulo, o Museu Nacional e o Palácio do Itamaraty. De acordo com a investigação, ele também teria estabelecido conexões com integrantes do PCC enquanto cumpria pena por crimes anteriores.
As apurações indicam ainda que outras pessoas teriam atuado como intermediárias entre o suposto articulador e os executores do assalto. Dois homens foram apontados como responsáveis pela invasão da biblioteca, ocorrida poucos minutos após a abertura do espaço expositivo. Imagens de segurança registraram a retirada das obras e ajudaram a polícia a identificar parte dos envolvidos. Apesar das prisões e do avanço das investigações, as gravuras de Matisse e Portinari seguem desaparecidas, ampliando a preocupação em torno da segurança de acervos culturais no Brasil e alimentando um debate internacional sobre o destino de obras furtadas que frequentemente acabam inseridas em redes clandestinas de circulação de arte.


