Em meio à pandemia, Arte Urbana ganha o interior do Brasil

Uma obra de arte à céu aberto, acessível a todos, para levar cultura, arte e colorir o cotidiano de quem passa pela região leste de Uberlândia, no interior de Minas Gerais, Brasil. Essa foi a ideia que deu origem ao painel artístico e interativo de 40 metros de comprimento por 10 metros de altura que fica ao lado do novo posto de combustíveis Montreal, localizado na rotatória que liga a Av. Anselmo Alves dos Santos, 4.800 – Gran Ville, próxima ao Parque do Sabiá.

A novidade que já virou notícia até em canais de televisão da região se espalhou também pela internet e está atraindo modelos, fotógrafos, digital influencers e muita gente que gosta de arte urbana. Como na região turística de Wynwood Art Distict em Miami, visitada por pessoas de todo o mundo que vão para a Flórida, onde vários artistas se juntaram e pintaram as paredes e muros do bairro, na intenção de dar mais vida ao lugar e torná-lo mais bonito… Ou no Leake Street, localizado embaixo da Waterloo Station em Londres, onde as paredes grafitadas e coloridas conhecidas como “Banksy Tunnel” ou “Graffiti Tunnel” fazem sucesso… Ou ainda na capital alemã, Berlim, que teve grande parte dos seus trabalhos artísticos criados logo após a queda do muro, em algumas regiões como East End em que é possível encontrar pedaços inteiros do muro cobertos por pinturas feitas com spray… Ou mesmo os clássicos e incríveis trabalhos de Street Art em Paris… E em Praga, claro, não poderíamos deixar de citar o grande muro com o rosto de John Lennon batizado em homenagem ao cantor e que virou um grande painel onde os visitantes deixam mensagens e desenhos.

O painel artístico de Uberlândia foi inspirado também no Beco do Batman localizado na Vila Madalena em São Paulo, que se tornou ponto turístico por causa dos grafites, e no CURA ART, o maior festival de arte pública de Minas Gerais que presenteou Belo Horizonte com seu primeiro festival de pintura em empenas, criando o único mirante de arte urbana do mundo. Da rua Sapucaí, na capital mineira, é possível contemplar todas as obras realizadas no hipercentro, incluindo o mural mais alto pintado por uma mulher na América Latina, com 56 metros de altura. Agora em 2020, o CURA chega à 5ª edição reunindo a maior coleção de arte mural em grande escala já produzida por um único festival brasileiro.

Para a idealizadora do painel artístico de Uberlândia, Marcela Neves, estamos em um momento em que um olhar diferente sobre o cotidiano pode fazer muita diferença na vida das pessoas. “Então, por quê não dar esse incentivo para a cidade? Quem sabe a iniciativa não pode ser um pontapé para outras ações semelhantes?”, sugere Neves.

Fernanda Felice no painel artístico de Uberlândia – Foto: Thiago Crosara

Três linguagens visuais e um resultado fantástico em Uberlândia

O ponto de partida foi o projeto conceitual criado e desenvolvido. “Criamos um painel, com as cores vivas, nichos interativos para as pessoas se conectarem com a arte através das fotos, criamos nichos realísticos e traços que se interligam e trazem movimentos com elementos como pássaros, vegetação e muita interação 3D com chuva colorida, balanço e muita vida. “O desafio proposto foi unir a arte de artistas diferentes, com traços e linguagens distintas e produzir um único mural”, declarou Jamile Golfetto, responsável pelo conceito e seleção dos artistas. Para realizar esse belo projeto, três visões artísticas distintas se misturaram para compor uma obra cuja proposta é a interação.

Kim Ferreira, graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Uberlândia, trabalha há mais de 20 anos com pinturas comerciais, e nos últimos quatro dedica-se ao Graffiti que o fascina justamente pela liberdade e a interação que proporciona.

Foto: Divulgação

“Hoje uso as ruas como um espaço aberto para estudos criativos e experimentações na busca de uma identidade cada vez mais forte na arte. Conheci muitos artistas graffiteiros e ampliei muito meu processo criativo, agregando traços e formas de pintar que só descobri utilizando as latas de spray, e pelo contato com a rua. A partir disso, pude levar a minha arte para os muros e ter mais visibilidade e reconhecimento, meus trabalhos saíram em revistas, reportagens na tv, fiz exposições coletivas e pude participar de eventos de Graffiti em várias cidades do País”, conta Kim Ferreira, um dos três artistas que deixaram sua marca no novo muro de Uberlândia.

Além dele, Sil Cotrin, artista paulista onde a street art é bem mais difundida, também foi uma das convidadas para o projeto. E por fim, o estúdio local, Farândola, se juntou ao grupo para esplendorosamente dar vida ao projeto.

“O Muralismo consiste em aplicar ilustrações em forma de pinturas diretamente na parede. Utilizamos tinta acrílica, resistente ao sol e chuva. Para esse projetos usamos temáticas florais, pássaros e formas da natureza, com cores vibrantes que remetem ao cerrado. Tivemos muitas trocas entre todos os profissionais envolvidos, mas com linguagens artísticas diferentes, todos trabalhamos diretamente com arte mas com técnicas e mensagens diferentes. O desafio foi criar uma arte com coerência em que todos tivéssemos liberdade para expressar suas ideias, sem limitações. Nossa ideia principal é a de que os visitantes e expectadores tenham a impressão de ser pequeno ao meio de folhas, flores e pássaros gigantes, apreciando as pequenas belezas da natureza em tamanho desproporcional. Esperamos que as pessoas visitem, prestigiem o trabalho e se divirtam!”, disse Guilherme Batista (Estúdio Farândola).

Foto: Mauro Marques

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