Da Art Basel Miami Beach à ESTE Arte no Uruguai, a galeria reafirma seu papel estratégico na circulação global da arte latino-americana
Em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a Almeida & Dale intensifica sua presença no circuito internacional com duas participações de peso: a Art Basel Miami Beach, nos Estados Unidos, e a ESTE Arte, em José Ignacio, no Uruguai. Em cada uma delas, a galeria apresenta recortes que reafirmam tanto seu compromisso com a projeção internacional de artistas latino-americanos quanto sua leitura curatorial ampla — que cruza território, memória, materialidade e linguagens contemporâneas.
Na Art Basel, o estande apresenta mais de 100 obras que atravessam gerações e geografias, reunindo nomes consagrados e novas vozes.
Já na ESTE Arte, a galeria apresenta um projeto inédito de Vanderlei Lopes, marcando uma nova etapa na trajetória do artista brasileiro.
A seguir, destacamos os principais pontos das duas feiras.
ART BASEL MIAMI BEACH 2025

Kabinett Maxwell Alexandre. Foto: Mikhail Mishin
A MOSTRA
Na Art Basel Miami Beach 2025, a Almeida & Dale aposta em um panorama amplo da arte brasileira contemporânea, articulando nomes históricos e artistas em expansão internacional. O estande apresenta mais de 100 obras em múltiplos suportes, tornando visível a força da produção brasileira em diálogo com uma cena global plural.
O conjunto abrange desde artistas fundamentais da formação contemporânea — como Tunga, Leonilson e Paulo Pasta — até presenças decisivas da arte indígena contemporânea, como Jaider Esbell. Somam-se ainda vozes hoje centrais na renovação da arte brasileira, como Rebeca Carapiá, Lidia Lisbôa, Alex Červený, Alice Shintani e Ivan Campos.
No eixo internacional, dois artistas marcam presença com abordagens profundamente conectadas à geopolítica e à cultura contemporânea: o zimbabuano Moffat Takadiwa, que transforma resíduos de consumo em tapeçarias monumentais, e a georgiana Nino Kapanadze, com pinturas guiadas pela luz, memória e presença.
O PROJETO DO KABINETT – MAXWELL ALEXANDRE
Um dos destaques da participação da galeria é o Kabinett dedicado a Maxwell Alexandre, com a série Clube. Em seu conjunto mais recente, o artista retrata frequentadores de um clube tradicional carioca, tensionando classe, raça e pertencimento a partir de pinturas panorâmicas instaladas no alto das paredes — como um friso contemporâneo.
As obras expandem sua pesquisa sobre espaço social, representação e hierarquia, aprofundada também na instalação apresentada na 36ª Bienal de São Paulo.
OS ARTISTAS — RECORTE CURATORIAL

Tunga. Foto: Julia Thompson
A seleção brasileira na Art Basel articula várias camadas da produção nacional:
Tunga: experimentação radical entre alquimia, escultura, performance e ritual.
Leonilson: delicadeza, vulnerabilidade e crítica política incorporadas a um vocabulário íntimo.
Jaider Esbell: cosmopolítica indígena e crítica à representação colonial.
Lidia Lisbôa: corpo, memória e cura tecidas em crochês monumentais.
Rebeca Carapiá: escultura como linguagem e fricção da palavra.
Alex Červený: narrativas visuais que atravessam mitologia, história da arte e cultura pop.
Alice Shintani: pintura expandida em diálogo com o espaço urbano.
Paulo Pasta: cor, tempo e silêncio como arquitetura pictórica.
Ivan Campos: Amazônia entre memória, espiritualidade e imaginação.
O OLHAR INTERNACIONAL
Os artistas internacionais reforçam a vocação global da galeria:
Moffat Takadiwa (Zimbábue) transforma resíduos industriais em esculturas murais que questionam consumo, colonialismo e futuro.
Nino Kapanadze (Geórgia) constrói atmosferas pictóricas entre memória e presença, tensão e delicadeza.
A presença de ambos sublinha o interesse da galeria por dinâmicas transcontinentais, em especial aquelas que atravessam Sul Global, colonialidade e materialidade contemporânea.
ESTE ARTE 2026 — PROJETO ESPECIAL: VANDERLEI LOPES

Vanderlei Lopes. Foto: Estúdio em Obra
A MOSTRA
Para a feira uruguaia ESTE Arte 2026, a Almeida & Dale apresenta um conjunto inteiramente inédito de Vanderlei Lopes — nove obras criadas especialmente para o evento. Pela primeira vez, o artista utiliza alumínio como matéria central de suas esculturas, ampliando sua conhecida investigação sobre líquidos, fluxos e instantes suspensos.
As obras, altamente verossímeis, capturam momentos que parecem congelados no tempo: gotas prestes a cair, chuva interrompida, objetos prestes a se desfazer. A sensação é de iminência — como se o tempo pudesse retomar seu movimento a qualquer segundo.
AS OBRAS
Lopes apresenta peças que oscilam entre luxo e descarte, aparência e ilusão, incluindo:
Calendário, Iminência e Guarda-chuva — esculturas que funcionam como “fotografias tridimensionais” de instantes fugazes.
Lost in Paradise, pintada como um jornal com manchete sobre paisagens recriadas.
Satélite, feita inteiramente de prata e pintada como um papel com imagem aérea da confluência entre os rios Paraná e Uruguai.
As referências ambientais e geopolíticas da região do Río de la Plata atravessam o projeto, conectando história, tensão ecológica e percepção.
A CURADORIA IMPLÍCITA
A pesquisa de Vanderlei Lopes tensiona os limites entre objeto e imagem, entre matéria e ficção. Suas esculturas funcionam como vestígios, moldes ou espectros de eventos urbanos e naturais — sempre à beira do desaparecimento.
A opção pelo alumínio, material da indústria e do consumo massificado, adiciona novas camadas à discussão, aproximando sua prática de debates sobre circulação de objetos, lixo, paisagem e memória material.
O ARTISTA

Vanderlei Lopes. Foto: Estúdio em Obra
Vanderlei Lopes (1973) constrói, há décadas, uma das pesquisas escultóricas mais singularmente consistentes da arte brasileira contemporânea, com participações na Bienal do Mercosul, Pinacoteca, MAM Rio, MAC USP, MuBE e diversos projetos institucionais.
Sua obra é marcada pela fricção entre passado e presente, representação e indício, objeto e acontecimento.
UMA PRESENÇA GLOBAL EM EXPANSÃO
A participação simultânea da Almeida & Dale na Art Basel Miami Beach e na ESTE Arte evidencia a expansão estratégica da galeria no circuito internacional.
Mais que apresentar obras, a galeria constrói pontes: entre Brasil e mundo, entre legados históricos e experimentação contemporânea, entre materialidades locais e debates globais.
Com artistas que atravessam fronteiras — geográficas, conceituais e políticas — a Almeida & Dale reforça o protagonismo da arte latino-americana em um cenário cada vez mais transcontinental.









