O Kunstmuseum Basel confirmou a autenticidade do último autorretrato de Paul Gauguin, cuja autoria havia sido recentemente questionada. A investigação começou após o pesquisador Fabrice Fourmanoir afirmar, em maio, que a obra teria sido produzida em 1916 — treze anos após a morte do artista — por seu amigo vietnamita Nguyen Van Cam, também conhecido como Ky-Dong. No entanto, análises técnicas realizadas pelo museu concluíram que a pintura é de fato de Gauguin, embora parte do rosto tenha sido retocada após sua morte.
O estudo revelou o uso de pigmento branco de titânio nas áreas repintadas — elemento inexistente antes de 1918 —, indicando que as intervenções ocorreram posteriormente. Essas alterações são visíveis sob luz ultravioleta e aparecem em fotografias de 1926. Apesar disso, o Kunstmuseum Basel considerou “altamente improvável” que se trate de uma falsificação posterior, reafirmando que a obra foi criada pelo próprio Gauguin, possivelmente com a ajuda de Ky-Dong. A atribuição foi ainda confirmada pelo Wildenstein Plattner Institute, responsável pelo catálogo raisonné do artista.

Paul Gauguin, Auto-retrato com óculos, 1903. Kunstmuseum, Bâle.
© Foto Martin P. Bühler/Kunstmuseum Basel, Vermächtnis Dr. Karl Hoffmann.
A pintura tem uma trajetória singular: foi presenteada por Gauguin a Ky-Dong em 1903, que a repassou dois anos depois a Louis Grélet. Após uma tentativa frustrada de venda na Sotheby’s em 1924, a obra passou por diferentes colecionadores até ser adquirida, em 1928, pelo pediatra suíço Karl Hoffmann, que a legou ao museu em 1945. O autorretrato, que mostra o artista em um estado de fragilidade física e emocional, em contraste com a altivez de retratos anteriores, foi reintegrado à exposição permanente do Kunstmuseum Basel, agora com sua autenticidade restabelecida.


