Como estes cientistas recriaram o pigmento azul do Antigo Egito?

A equipe do Museu Carnegie de História Natural coletando amostras de pigmento azul de uma pequena escultura. Foto cortesia de Matt Unger/Carnegie Museum of Natural History.

Muito antes de Yves Klein, Picasso ou Miles Davis, o azul já fascinava os antigos egípcios, que o utilizaram para decorar tumbas reais, esculturas e objetos rituais. Agora, um grupo de pesquisadores da universidade Estadual de Washington, do Carnegie Museum of Natural History (CMNH) e do Smithsonian Institution’s Museum Conservation Institute acaba de revelar, em um estudo publicado na revista científica NPJ Heritage Science, 12 novas fórmulas para recriar o lendário “azul egípcio”, considerado o primeiro pigmento sintético da história da humanidade.

Exemplos de pigmento azul egípcio sintetizado pelo estudo. Foto cortesia da Universidade Estadual de Washington.

Utilizando tecnologias de ponta como difração de raios X e espectroscopia Raman, a equipe testou diferentes combinações de dióxido de silício, cobre, cálcio, malaquita e carbonato de sódio, aquecidas a cerca de 1.000°C por períodos que variaram de uma a onze horas. Os resultados surpreenderam: a tonalidade mais vibrante foi alcançada com apenas 50% de componentes azuis na mistura, reforçando o caráter heterogêneo do pigmento, cuja aparência varia drasticamente conforme o tempo de exposição ao calor e o ritmo de resfriamento. “Cada partícula carrega uma combinação única de materiais. Não há uniformidade, o que foi uma descoberta inesperada para nós”, afirmou o professor John S. McCloy, um dos autores do estudo.

Inicialmente concebido como um exercício lúdico para atender a uma exposição de museu, o projeto acabou por se tornar um marco na pesquisa sobre materiais antigos, estimulando uma nova compreensão sobre os processos tecnológicos desenvolvidos há mais de três mil anos. Os pigmentos recriados estão atualmente em exibição na mostra “Stories We Keep”, no Carnegie Museum, e a partir de 2026 integrarão uma apresentação permanente na exposição “Egypt on the Nile”. Para McCloy, o estudo reforça o poder da ciência na compreensão do passado humano: “Esperamos que este trabalho seja um exemplo do quanto a pesquisa científica pode iluminar nossa história cultural.”

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