O tradicional programa de residência da Art Omi, realizado todos os verões em um campus de 120 acres no interior do estado de Nova York, tem enfrentado um desafio crescente: o número cada vez maior de artistas impedidos de participar por conta da negação de vistos ou do fechamento de embaixadas. De acordo com o portal Hyperallergic, em 2025, cinco artistas de países como Rússia, Haiti, Nigéria e Ruanda viram seus convites recusados por entraves consulares. Segundo a direção da instituição, esse obstáculo tem se tornado recorrente — e pode se intensificar, sobretudo diante do cenário político americano e da possível expansão de restrições a viagens internacionais.
Casos como o do artista nigeriano Samuel Olayombo, cuja solicitação já foi negada dois anos seguidos, ilustram as dificuldades enfrentadas por candidatos de países africanos ou de maioria muçulmana. Já o haitiano Michel Lafleur, colaborador do belga Tom Bogaert, foi obrigado a buscar alternativas na embaixada dos EUA na República Dominicana, após o fechamento da sede em Porto Príncipe devido à violência urbana. A artista buriata Yumzhana Sui, por sua vez, relatou ter se sentido tratada como “criminosa ou pedinte” ao longo de sucessivas tentativas de obter o visto — episódios que revelam o impacto psicológico dessas barreiras burocráticas.
Diante da imprevisibilidade nas fronteiras e da incerteza institucional, a Art Omi considera adaptar o programa a novos formatos, como visitas virtuais ou edições fora dos Estados Unidos. Ainda assim, o desejo é manter a experiência presencial como núcleo da proposta. “Politicamente, há mudanças que gostaríamos de ver, mas que estão fora do nosso controle”, admite Ruth Adams, co-diretora da organização. Enquanto isso, resta aos artistas perguntar: tentar novamente ou buscar outras rotas? A arte, afinal, continua querendo atravessar — mesmo quando os portões se fecham.


