O Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia, que será inaugurada em maio de 2026, terá curadoria da baiana Diane Lima. Intitulada Comigo ninguém pode, a mostra reunirá obras de Rosana Paulino e Adriana Varejão, duas das artistas mais proeminentes da arte contemporânea nacional. O projeto propõe uma reflexão sobre proteção, toxicidade e resistência, tomando a planta homônima como metáfora das ambiguidades que atravessam o corpo, a natureza e a história.
A curadoria de Lima coloca em diálogo as trajetórias de Paulino e Varejão, que abordam de maneiras distintas as feridas coloniais e os processos de reinscrição da memória. Segundo a curadora, o encontro entre ambas cria uma tessitura poética em torno de experiências femininas, saberes ancestrais e transformações simbólicas do corpo e da nação. As artistas, cujas obras habitam coleções de museus como Tate Modern, MoMA, MASP e Centre Pompidou, destacam que o projeto será também um exercício de colaboração e expansão, em diálogo com a arquitetura modernista do Pavilhão brasileiro, projetado por Américo Campiglia.
A escolha de Diane Lima — que integrou a equipe curatorial da 35ª Bienal de São Paulo — reflete uma nova etapa na presença do Brasil em Veneza, marcada pela diversidade de perspectivas e pela força da produção artística contemporânea. O anúncio coincide com o processo de restauro do Pavilhão brasileiro e com a nomeação do novo coletivo internacional de curadores que dará continuidade ao legado de Koyo Kouoh na Bienal de Veneza, sob o tema In Minor Keys. A exposição brasileira será inaugurada oficialmente em 9 de maio de 2026.


