Com tema voltado ao feminismo, 12ª Bienal do Mercosul é adiada no RS

Gilberto Schwartsmann, Diretor Presidente da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, anuncia a suspensão das atividades de produção da Bienal 12 por quatro semanas e a prorrogação por tempo indeterminado da abertura física das exposições, que estava prevista para o dia 16 de abril de 2020.
Frente à pandemia de Coronavírus (COVID-19), a equipe segue trabalhando virtualmente para alcançar possibilidades que vão além das exposições que acontecerão no MARGS, CHC Santa Casa, Praça da Alfândega, Memorial do Rio Grande do Sul e Fundação Iberê Camargo, no sentido de estabelecer desdobramentos da Bienal 12 nas plataformas digitais.
Junto à equipe e à curadora Andrea Giunta, o Diretor Presidente tem trabalhado em soluções inovadoras e criativas para o momento. Uma das propostas que está sendo planejada para os próximos dias é o uso das redes sociais do projeto como uma ferramenta imediata de comunicação entre a Bienal, os artistas e o público.

O percurso da Bienal 12
Com a curadoria da escritora, professora e pesquisadora argentina Andrea Giunta, e tendo como equipe curatorial os brasileiros Fabiana Lopes, Igor Simões, e a polonesa Dorota Biczel, a mostra intitulada “Feminino(s). Visualidades, ações e afetos” tinha abertura prevista para o dia 16 de abril de 2019.
As atividades públicas da Bienal 12 tiveram início em novembro de 2018, com o Seminário Arte, feminismos e emancipação, e prosseguiram em setembro de 2019, com a construção da Câmara de Professores, reunindo profissionais de escolas, universidades, institutos federais e espaços de educação não-formal, como ONGs e museus, sob condução do curador pedagógico da Bienal 12, Igor Simões.
De outubro a novembro de 2019, aconteceram os cinco encontros do Território Kehinde. Realizados em Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas, os eventos promoveram debates e rodas de conversa com a presença de convidadas e convidados para a construção coletiva de saberes.
Por fim, de fevereiro a março de 2020, foram realizados 10 Exercícios Coletivos de Dissenso, também sob coordenação do Programa Educativo. Os encontros constituíram a formação de mediadores que atuarão na Bienal 12 e contaram com a presença de diferentes profissionais que compartilharam conhecimentos relacionados às temáticas da Bienal e à mediação em Artes Visuais.

Tema
O título desta bienal instala uma interrogação que remete à fricção central da cultura democrática contemporânea: a participação da sociedade desde o conceito de diferença entendida como multiplicidade e não como separação, tal como o expressou Denise Ferreira da Silva.
Toma também como ponto de partida as perguntas que propôs a teórica Nelly Richard em seu livro Masculino / Feminino (1993),  feitas no contexto latino-americano das transições democráticas. As suas interrogações remetem ao lugar social do feminino, suas construções, suas incompatibilidades e o salto sobre as lógicas binárias excludentes. As perguntas têm plena vigência. Particularmente no momento em que o feminino retoma agendas não realizadas desde os anos sessenta, recupera os questionamentos dos noventa e amplia suas urgências como consequência das aumentadas violências contra as mulheres e os coletivos LGBTTQ+; o aumento da pobreza e dos sistemas de exclusão e discriminação; a observação crítica e atenta dos programas que atacam os recursos naturais do planeta.

Veja texto da curadora Andrea Giunta

Inspira-se, nesse sentido, em uma frase poética de Carolina Maria de Jesus, camponesa, poeta e cronista afro-brasileira, que abriu interstícios entre o trabalho e o cuidado de seus filhos para escrever. Ela escrevia na riqueza da favela e apesar das limitações impostas por violências raciais (pós)coloniais. Escrevia “Até passar a chuva”. As palavras e as imagens se depositaram em seus papéis desenhando territórios que apontam para uma liberdade possível. Porque a escrita explora os limites que as circunstâncias apontam sobre a linguagem. 

A essas condições da criação provavelmente aludia Clarice Lispector quando se referia à tarefa de sulcar impossibilidades: “Tudo o que sei não posso escrever”, escrevia, ao nomear o “luxo do silêncio”. Mais do que a obviedade dos sentidos, deslocados em um tempo no qual se veem reduzidos a lugares comuns, em uma comunicação plana, o diagrama expositivo da bienal aponta para a leitura atenta de uma comunidade interpretativa capaz de abordar um tecido de sensibilidades e discursos que admitem o dissenso como mola da argumentação e da deliberação. Porque, sabemos, é necessário dizer,  e explorar as diferentes maneiras de nomear para evitar as classificações uniformes.

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