A Casa Branca divulgou, em 21 de agosto, um memorando de 26 pontos que escancara a nova frente de ataque de Donald Trump contra o Smithsonian. O documento cita nominalmente obras, artistas e exposições que, segundo o governo, promovem “narrativas divisivas”. Entre os alvos estão a pintura Transforming Liberty (2024), de Amy Sherald — que retrata uma mulher trans e já havia sido retirada de uma mostra por receio de censura —, trabalhos que humanizam migrantes e até animações que homenageiam o médico Anthony Fauci. A medida vem dias após a exigência oficial para que o Smithsonian entregasse relatórios curatoriais e abrisse caminho para “correções de conteúdo”.
Na lista constam obras como Refugees Crossing the Border Wall into South Texas (2020), de Rigoberto A. González, que retrata uma família migrante atravessando a fronteira. O artista, finalista do prêmio Outwin Boochever, comparou o gesto do governo à ofensiva nazista contra a chamada “arte degenerada”, reforçando que sua obra foi criada a partir de diálogos com imigrantes reais e carrega símbolos da perseguição política, como a manchete sobre o impeachment de Trump. Também foram citadas exposições que abordam a história LGBTQ+, a cultura afrofuturista, a democracia americana e até um infográfico do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana sobre privilégios associados à branquitude.

Rigoberto A. González, “Refugees Crossing the Border Wall into South Texas” (2020) foi uma das obras de arte alvo de uma declaração da Casa Branca em 21 de agosto de 2025. (Foto cortesia do artista)
O embate reflete a cruzada de Trump para impor o chamado “excepcionalismo americano” aos 21 museus e centros de pesquisa do Smithsonian. Desde que voltou ao poder, ele acusa a instituição de ser um bastião do “woke liberal”, ameaçando eliminar referências à escravidão, às lutas LGBTQ+ e à imigração das narrativas oficiais. A ofensiva não apenas coloca em risco a autonomia curatorial do maior complexo museológico dos EUA, como sinaliza um movimento político mais amplo de controle ideológico sobre a arte e a cultura do país.
Ele também atacou novamente o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana por suas exposições sobre a “cultura branca dominante”, algo que ele já havia destacado em um decreto executivo no início deste ano.


