Bruno Barbey, Fotógrafo da Magnum Photos, morre aos 79 anos

Bruno Barbey, fotógrafo francês da agência Magnum Photos que produziu trabalhos poderosos e empáticos em zonas de guerra, bem como em tempos de paz, morreu em 9 de novembro em Orbais-l’Abbaye, no nordeste da França. Ele tinha 79 anos. Sua esposa, Caroline Thiénot-Barbey, disse que a causa foi uma embolia pulmonar.

Jean Gaumy, um colega da Magnum, descreveu o Sr. Barbey em um e-mail como “um arquiteto visual formidável” cujas fotos contaram a história da “transformação e movimentos do mundo”.

Em maio de 1968, quando estudantes em Paris iniciaram um movimento político com protestos em massa contra as universidades e o governo, Barbey fotografou imagens duradouras da raiva nas ruas: estudantes atirando projéteis contra a polícia; manifestantes passando paralelepípedos uns aos outros para construir barricadas; policiais armados perseguindo estudantes em fuga; manifestantes à noite carregando coquetéis Molotov em uma rua já em chamas.

“Em certo momento, fui com Marc Riboud e Henri Cartier-Bresson comprar capacetes para proteger nossas cabeças de todas as pedras que estavam sendo jogadas”, disse Barbey ao The Guardian em 2014, referindo-se a outros dois fotógrafos da Magnum; Cartier-Bresson foi um dos fundadores da Magnum. Três anos depois, o Sr. Barbey estava na Irlanda do Norte fotografando seu conflito sectário. Em Belfast, ele se deparou com um soldado britânico armado encostado nos restos de um carro queimado e falando com três garotos.

Vinte anos depois, em 1991, ele narrou a operação aliada para expulsar as forças iraquianas invasoras do vizinho Kuwait. Uma foto mostrava meia dúzia de fuzileiros exaustos e aliviados dirigindo para longe do campo de petróleo de Burgan em chamas. Um clique mostrou quatro camelos – demonstrando muito menos urgência do que os fuzileiros navais – contra a mesma conflagração.

A fotografia “é a única linguagem que pode ser entendida em qualquer lugar do mundo”, disse Barbey uma vez.

Bruno nasceu em 13 de fevereiro de 1941, em Berrechid, Marrocos, ao sul de Casablanca, e cresceu em várias partes do país: Rabat, Salé, Marrakesh e Tânger. Seu pai, Marc, era um diplomata; sua mãe era Marie Clement-Grandcourt. Desde jovem, ele sabia que queria viajar pelo mundo como Antoine de Saint-Exupéry, o escritor e aviador francês. Os pais de Bruno o mandaram para Paris para o ensino médio, onde ele era um canhoto frustrado, escreveu ele em seu livro fotográfico retrospectivo, Passagens (2015). Ele e seus amigos faltaram às aulas para ver filmes de cineastas neorealistas italianos como Roberto Rossellini e Vittorio De Sica.

Barbey dirigiu pela Itália em um Volkswagen usado no início dos anos 1960, fotografando seu povo em preto e branco em um estilo neorealista. “Meu objetivo”, ele escreveu em “Passagens”, “era capturar o espírito do lugar”. Ele pegou dezenas de momentos na vida de uma nação: uma família correndo em uma scooter, um grupo de meninas cujas expressões alegres contrastam com a de um mendigo triste estendendo a mão atrás delas; meninos brincando com armas realistas; e uma série de outros personagens como prostitutas, padres, velhos e mafiosos.

As fotografias — que mais tarde seriam publicadas como “Os Italianos” em 2002 — o chamaram a atenção da Magnum, onde trabalhou por mais de 50 anos. Além das manifestações de Paris, cobriu conflitos no Oriente Médio, Nigéria, Vietnã e Camboja e registrou vida na China, Brasil, Índia, Japão e Espanha.

Ele passou grande parte de 1981 na Polônia durante a ascensão do sindicato Solidariedade, forografando poloneses em um período de turbulência e tormento. Ele coletou as fotos em “Retrato da Polônia” (1982).

“Ele chamou a atenção para a experiência humana — com muita bondade”, disse Gilles Peress, outro fotógrafo da Magnum, em entrevista por telefone.

Barbey, cujas fotografias foram amplamente exibidas, recebeu a Ordem Nacional de Mérito Francesa e foi eleito membro da Academia Francesa de Belas Artes, Institut de France, em 2016. Ele atuou como executivo da Magnum em dois momentos diferentes.

Embora tenha deixado Marrocos aos 12 anos, Barbey continuou voltando para lá, atraído por suas ricas cores, luz e arquitetura. Muitas de suas fotografias eram de momentos de silêncio: uma noiva exibindo as mãos decoradas com um design de henna; um interior de tons dourados com uma figura distante em um roupão listrado preto e branco misturando-se ao design do chão; peles vermelhas secando ao sol…

“É muito difícil fotografar lá”, disse Barbey no site da Magnum, “porque no Islã a fotografia traz mau-olhado”. Ele acrescentou: “Você tem que ser astuto como uma raposa, bem organizado e respeitar alguns costumes. O fotógrafo deve aprender a se fundir em paredes. As fotos devem ser tiradas rapidamente, com todos os riscos, ou somente após longos períodos de paciência infinita.”

Além de sua esposa, ele deixa uma filha, Aurélie Barbey; um filho, Igor; e quatro netos.

 

FONTE: The New York Times

Compartilhar:
Notícias - 11/01/2021

Artista mineira Marina Amaral entra para lista da Forbes

A colorista mineira Marina Amaral entrou para a lista da Forbes dos jovens mais influentes do ano.  A Under 30 …

Notícias - 11/01/2021

Iphan e Polícia Federal resgatam material arqueológico no Acre

Na manhã do dia 5 de janeiro, uma ação conjunta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no …

Notícias - 11/01/2021

Exposição do estilista Tomo Koizumi inicia o Departamento de Moda, Design e Arquitetura da Fundação Iberê

Em 2021, a Japan House São Paulo (JHSP) vai expandir sua presença pelo Brasil, por meio de um projeto de …

Notícias - 11/01/2021

Pinacoteca de São Paulo divulga programação de 2021

 

Em 2021, a Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, …

Notícias - 28/12/2020

Os universos díspares da Rússia contemporânea pelas lentes de Serguei Maksimishin em “O Último Império”

A exposição “O Último Império – Serguei Maksimishin”, que esteve no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, entre dezembro de …

Notícias - 20/12/2020

Consciência diante do perigo: as representações do medo ao longo da História da Arte

Quando Susan Sontag fala que fotografia é sobre dor, ela fala sobre Arte. Quando Susan afirma que “fotos são um …

Notícias - 19/12/2020

São Paulo ganha mural em homenagem às comunidades indígenas afetadas pela pandemia

As Nações Unidas e a ViaQuatro, concessionária responsável pela operação e manutenção da Linha 4-Amarela, em São Paulo, se unem …

Notícias - 18/12/2020

Farol Santander abre hoje mostra do artista chileno Iván Navarro

Abre hoje, 18 de dezembro, no Farol Santander São Paulo, a exposição ExFinito, primeira grande mostra individual no país do …

Notícias - 17/12/2020

Conheça os 91 projetos selecionados do Rumos Itaú Cultural 2019/2020

A Dasartes participou na última quarta-feira, 16 de dezembro, na coletiva de imprensa do Itaú Cultural, que anunciou os projetos selecionados …

Notícias - 17/12/2020

REGINA BONI ANUNCIA INAUGURAÇÃO DA GALERIA SÃO PAULO FLUTUANTE EM 2021

Para quem afrontou militares e a extrema direita em plena ditadura nos anos 60, não seria uma pandemia em escala …

Notícias - 17/12/2020

Itaú Cultural lança publicação com trabalhos de artes visuais selecionados em edital

No dia 15 de dezembro entrou no ar, no site do Itaú Cultural, www.itaucultural.org.br, uma publicação virtual que reúne as …

Notícias - 17/12/2020

CASA FIAT DE CULTURA DIVULGA SELECIONADOS PARA EXPOR NA PICCOLA GALLERIA

O 4º Programa de Seleção da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura já tem os nomes dos artistas selecionados …