Bienal de São Paulo anuncia programação digital e cinco artistas da próxima edição

Nina Beier, Plug, 2018-2019 - FOTO: Cortesia da artista

Neste ano, a Fundação Bienal apresenta, de 4 de setembro a 5 de dezembro, a grande mostra da 34ª Bienal de São Paulo – Faz Escuro mas eu canto , edição iniciada em fevereiro de 2020 que tem se desdobrado no espaço e no tempo com programação tanto física quanto on-line. Entre fevereiro e abril, a programação digital inclui a participação de dez artistas que integram a mostra da 34ª Bienal de São Paulo, sendo que cinco deles são agora anunciados: Dirk Braeckman (1958, Eeklo, Bélgica), Nina Beier (1975, Aarhus, Dinamarca), Tony Cokes (1956, Virginia, EUA), Vincent Meessen (1971, Baltimore, EUA) e Zózimo Bulbul (1937 – 2013, Rio de Janeiro, RJ).

Acontecem nos próximos meses as seguintes atividades on-line e gratuitas:

_Encontros com artistas – As vozes dos artistas #3: em torno do Sino de Ouro Preto: nesta série de 6 encontros on-line, os curadores da 34ª Bienal se reúnem com artistas desta edição para discutir alguns dos enunciados da mostra – objetos com histórias em torno dos quais as obras serão distribuídas nas exposições coletivas, sugerindo leituras poéticas multifacetadas das mesmas. O terceiro encontro acontece no dia 25 de fevereiro e aborda o enunciado Sino de Ouro Preto. A participação na live é gratuita e mediante inscrições prévias no site da 34ª Bienal ( http://34.bienal.org.br/agenda ).

O Sino de Ouro Preto, também conhecido como Sino da Capela do Padre Faria, datado de 1750 e localizado na cidade mineira de Ouro Preto, foi tocado em duas ocasiões marcantes na história do
Brasil: o dia da morte de Tiradentes, em abril de 1792 (à revelia de ordens oficiais), e na inauguração de Brasília (cidade para a qual foi temporariamente transportado), em 1960. Sua presença em diferentes momentos da história do país, sempre ligada a importantes fatos políticos, mobilizou pesquisas em torno da repetição e da diferença, de memória(s) e futuro. O evento conta com a participação ao vivo de Jota Mombaça (1991, Natal, RN) e entrevistas pré-gravadas dos artistas Ana Adamovi ć (1959, Belgrado, Sérvia), Nina Beier (1975, Aarhus, Dinamarca) e Vincent Meessen (1971, Baltimore, EUA), além da curadora convidada Carla Zaccagnini (1973, Buenos Aires, Argentina).

_Encontros com artistas – As vozes dos artistas #4: em torno dos retratos de Frederick Douglass: a live será realizada em 1 de abril e terá a participação ao vivo de Tony Cokes (1956, Virginia, EUA) e depoimentos gravados de Alfredo Jaar (1956, Santiago, Chile), Musa Michelle Mattiuzzi (1983, São Paulo, SP), além de uma introdução ao trabalho de Zózimo Bulbul (1937 –2013, Rio de Janeiro, RJ) realizada pela pesquisadora Janaína Oliveira. Frederick Douglass (Condado de Talbot, Maryland, EUA, 1818 – Washington, D.C., EUA, 1895) foi o estadunidense mais fotografado do século 19. Sua imagem se espalhou, e ainda circula, como símbolo de justiça e resistência. Homem público, jornalista, escritor e orador abolicionista, Douglass era filho de uma mulher negra escravizada e de um homem branco que ele não conheceu. Suas imagens entraram no fluxo de circulação dos jornais, assim como em espaços privados de todo o país.

_Minicurso a distância: a cada encontro sobre os enunciados se segue um minicurso composto por 4 reuniões virtuais de 2h de duração, nas quais são aprofundados os temas abordados. Os cursos são ministrados por profissionais da Fundação Bienal em plataforma digital e contam com a apresentação de trechos inéditos das entrevistas com artistas e palestrantes, produzidas para os encontros sobre os enunciados, além de compartilhamento de referências bibliográficas e outros materiais de pesquisa.

● O minicurso Repetições contra a flecha do tempo , relacionado ao enunciado Sino de Ouro Preto, acontecerá entre 4 e 25 de março, todas quintas-feira, das 19h às 21h. As aulas irão abordar os conceitos de repetições de cantos, coreografias, cenas e escritas que integram as pesquisas dos artistas desta edição: Ana Adamović, Jota Mombaça, Nina Beier e Vincent Meessen. As inscrições serão abertas durante a live As vozes dos artistas #3, no dia 25 de fevereiro. O formulário para inscrição estará disponível em 34.bienal.org.br/agenda .

● O minicurso dedicado aos retratos do abolicionista Frederick Douglass está programado para acontecer de 8 a 29 de abril , toda quinta-feira, às 19h. Mais informações estarão disponíveis em breve no site 34.bienal.org.br .

_Visitas aos ateliês / Studio visits: uma vez por mês, de setembro de 2020 a agosto de 2021, artistas da 34ª Bienal abrem seus ateliês e falam sobre sua trajetória e as obras que estarão na
Bienal a partir de perguntas e provocações colocadas pela equipe curatorial. Os vídeos, bilíngues, são veiculados no Instagram da Bienal e também estão disponíveis no site 34.bienal.org.br. As
próximas visitas aos ateliês são com Emerson Uýra (18 de fevereiro) e Dirk Braeckman (31 de março) .

Sobre os novos artistas

Vincent Messen, Juste un Mouvement, 2021 – Still de filme, 108 min – IMAGEM: Cortesia do artista

Os cinco artistas anunciados agora se juntam aos 51 nomes já divulgados da mostra coletiva da 34ª Bienal de São Paulo. A divulgação da lista completa de participantes desta edição, que terá cerca de 90 artistas, está prevista para abril. O artista e cineasta Vincent Meessen (1971, Baltimore, EUA) investiga movimentos políticos, projetos, obras de arte, ensaios e conflitos que de algum modo confrontaram as contradições políticas e sociais de seu tempo para desenvolver instalações, publicações e filmes que desafiam os espectadores a se questionarem sobre as formas de silenciamento enfrentados por esses personagens e sobre os fatores que os mantêm pertinentes ainda hoje. Suas obras foram exibidas recentemente no Kunsthalle Basel (Basileia, Suíça), em 2015; no Centre
Pompidou (Paris, França), em 2018, e no Mu.ZEE, (Oostende, Bélgica), em 2020 . Ele também foi o artista selecionado para representar a Bélgica na 56ª Bienal de Veneza, em 2015, e participou da Bienal de Arquitetura de Chicago (EUA), em 2019 .

Nina Beier (1975, Aarhus, Dinamarca), por sua vez, trabalha com esculturas, instalações e performances no intuito de investigar como a história se articula com matéria e memória. Em muitas obras, a artista explora a cultura humana impregnada em objetos específicos. O mecanismo de constituição de memória também tem papel preponderante em sua prática. O seu trabalho foi recentemente objeto de exposições no Kunsthal Gent (Gent, Bélgica), em 2019; no Centre Pompidou, em 2014 (Paris, França); Tate Modern (Londres, Inglaterra), em 2012. Ela participou de diversas bienais, entre elas, a 20ª Bienal de Sydney (Austrália),em 2020; a 6ª Bienal de Arte Contemporânea de Moscou (Rússia), em 2018, e a 13ª Bienal de Lyon (França), em 2015. A participação da artista na 34ª Bienal de São Paulo é apoiada por Nordic Culture Fund, ifa (Institut für Auslandsbeziehungen) e Danish Arts Foundation.

Tony Cokes (1956, Virginia, EUA) é professor de produção de mídia e diretor de graduação no Department of Modern Culture and Media da Brown University (Providence, EUA). Suas obras de vídeo, instalação e som recontextualizam materiais apropriados para refletir sobre a nossa produção como sujeitos do capitalismo. Os trabalhos de Cokes já estiveram em exposições no MACBA (Barcelona, Espanha), em 2020; no Centro ARGOS de Artes Audiovisuais (Bruxelas, Bélgica), em 2020; no The Museum of Modern Art (Nova York, EUA),em 2019; participou da 10ª Bienal de Berlim (Alemanha), em 2018, e expôs no REDCAT (Los Angeles, EUA), em 2012.

Dirk Braeckman (1958, Eeklo, Bélgica) atua há mais de 30 anos como fotógrafo. Ele encontra os temas para as suas fotografias no próprio ambiente imediato, preferindo lugares ou espaços interiores. Parte do seu processo artístico envolve uma investigação sobre métodos de revelação, exposição e impressão de imagens. Braeckman participou de inúmeras exposições nacionais e internacionais. Em 2017, ele representou a Bélgica na 57ª Bienal de Veneza. As obras de Braeckman fazem parte de importantes coleções públicas e privadas em todo o mundo, incluindo a Fondation Nationale d’Art Contemporain (Paris, França), o FRAC Nord – Pas de Calais (Dunquerque, França), o Musée d’Art Contemporain et Moderne (Estrasburgo, França), o Sammlung Goetz (Munique, Alemanha) e o Museu Central (Utrecht, Holanda).

Também integra a 34ª Bienal o cineasta e ator brasileiro Zózimo Bulbul (1937 – 2013, Rio de Janeiro, RJ), que produziu e dirigiu filmes e documentários em vídeo de curta, média e longa metragem, entre os quais figuram: Alma no olho (1973); Artesanato do samba (1974, codirigido por Vera de Figueiredo), Músicos brasileiros em Paris (1976), Dia de Alforria… (1981), Abolição (1988) e Pequena África (2001). Sua produção engloba vídeos sobre a história do negro no Rio de Janeiro, retratando os dilemas da classe média negra que emergiu nos anos 1960, e reivindicou uma nova narrativa para a experiência negra na América. O artista é considerado um grande representante do cinema de invenção brasileiro e do cinema afrodiaspórico.

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