Bienal de São Paulo anuncia lista completa de artistas e lança catálogo digital

" (The Supper), 1991, da artista cubana Belkis Ayón. Foto José A. Figueroa - Cortesia de Belkis Ayón Estate

A Fundação Bienal de São Paulo anuncia a lista completa de artistas participantes da 34ª Bienal – Faz Escuro mas eu canto, composta por 91 nomes (sendo 2 duos e 1 coletivo) de 39 países. A edição, iniciada em fevereiro de 2020, vem se desdobrando no espaço e no tempo com programação tanto física quanto on-line, e culminará na mostra coletiva que vai ocupar todo o Pavilhão Ciccillo Matarazzo a partir de setembro de 2021, simultaneamente à realização de dezenas de exposições individuais em instituições parceiras na cidade de São Paulo.

Entre os artistas desta edição, há representantes de quase todos os continentes (exceto a Antártica). A distribuição entre mulheres e homens é equilibrada, e cerca de 4% dos artistas identificam-se como não-binários. Esta será, ainda, a Bienal com a maior representatividade de artistas indígenas de todas as edições com dados disponíveis, com 9 participantes de povos originários de diferentes partes do globo (aproximadamente 10% do total). Jacopo Crivelli Visconti, curador geral desta edição, comenta o processo de construção da lista de artistas convidados: “Desde sua concepção, e com um sentido de urgência ainda maior após os acontecimentos dos últimos meses, a 34ª Bienal busca estabelecer pontes entre obras e artistas que refletem múltiplas cosmovisões, culturas e momentos históricos. O processo de colocar em relação e ressonância todas essas vozes foi intenso e estimulante, vivificando um dos conceitos de Édouard Glissant que mais nos inspirou nesse caminho, o de que falamos e escrevemos sempre na presença de todas as línguas do mundo”.

Participarão da bienal os artistas Abel Rodríguez, Adrián Balseca, Alfredo Jaar, Alice Shintani, Amie Siegel, Ana Adamović, Andrea Fraser, Anna-Bella Papp, Antonio Dias, Antonio Vega Macotela, Arjan Martins, Beatriz Santiago Muñoz, Belkis Ayón, Carmela Gross, Christoforos Savva, Clara Ianni, Claude Cahun, Daiara Tukano, Daniel de Paula, Darcy Lange, Deana Lawson, Dirk Braeckman, E.B. Itso, Edurne Rubio, Eleonora Fabião, Eleonore Koch, Eric Baudelaire, Frida Orupabo, Gala Porras-Kim, Giorgio Griffa, Giorgio Morandi, Grace Passô, Guan Xiao, Gustavo Caboco, Hanni Kamaly, Haris Epaminonda, Hsu Che-Yu, Jacqueline Nova, Jaider Esbell, Jaune Quick-to-See Smith, Joan Jonas, Jota Mombaça, Jungjin Lee, Juraci Dórea, Kelly Sinnapah Mary, Koki Tanaka, Lasar Segall, Lawrence Abu Hamdan, León Ferrari, Lee ‘Scratch’ Perry, Lothar Baumgarten, Luisa Cunha, Lydia Ourahmane, Lygia Pape, Manthia Diawara, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Marinella Senatore, Marissa Lee Benedict e David Rueter, Mauro Restiffe, Melvin Moti, Mette Edvardsen, Musa Michelle Mattiuzzi, Nalini Malani, Naomi Rincón Gallardo, Neo Muyanga, Nina Beier, Noa Eshkol, Olivia Plender, Oscar Tuazón, Paulo Kapela, Paulo Nazareth, Philipp Fleischmann, Pia Arke, Pierre Verger, Regina Silveira, Roger Bernat, Sebastián Calfuqueo Aliste, Silke Otto-Knapp, Sueli Maxakali, Sung Tieu, Tamara Henderson, Tony Cokes, Trajal Harrell, Uýra, Victor Anicet, Vincent Meessen, Ximena Garrido-Lecca, Yuko Mohri, Yuyachkani, Zózimo Bulbul e Zina Saro-Wiwa

Para além da abertura da exposição principal da 34ª Bienal, o ano de 2021 é, ainda, uma data importante para a realização das Bienais de São Paulo por marcar o aniversário de 70 anos da 1ª Bienal (1951). “Ao longo dos últimos 70 anos, as Bienais de São Paulo adaptaram-se aos tempos, e é justamente sua capacidade de mudança e sua abertura ao novo que asseguraram que a mostra mantivesse sua relevância artística e cultural. A 34ª Bienal de São Paulo, de alguma forma, simboliza isso: face a tempos desafiadores, encontramos maneiras de nos mantermos fiéis à proposta desta edição sem, no entanto, ficarmos presos em ideias e projetos que haviam perdido sua pertinência no novo contexto global. No último ano, intensificamos nossa programação digital e descobrimos novas maneiras de nos conectar com o público, às quais pretendemos dar continuidade nas próximas edições. A realização do catálogo digital tenteio é, sem dúvida, uma das iniciativas que não estavam previstas no projeto inicial, mas não apenas estão de pleno acordo com ele como também são capazes de expandir seu alcance”, afirma José Olympio da Veiga Pereira, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.

Catálogo digital tenteio

Com mais de 130 publicações ao longo de 70 anos de história, a Fundação Bienal realiza pela primeira vez um catálogo inteiramente digital para uma Bienal de São Paulo. A publicação compõe uma narrativa visual e textual formada por contribuições dos 91 artistas participantes da 34ª Bienal, elaboradas exclusivamente para a ocasião. Diante dos desenhos, fotografias, poemas e textos compartilhados pelos artistas, Elvira Dyangani Ose (editora convidada da 34ª Bienal, em colaboração com The Showroom – Londres), e Vitor Cesar (designer e autor da linguagem visual desta edição) se debruçaram sobre a realização de um catálogo que refletisse as poéticas de ensaio aberto e de “relação”, preceitos norteadores para a curadoria da edição. Seu conteúdo será incorporado ao catálogo impresso da mostra, a ser lançado em setembro de 2021.

Em texto curatorial que conclui a publicação, a editora Dyangani Ose discorre poeticamente sobre o processo de criação da mesma: “Passo meses movendo essas imagens de um ponto da narrativa a outro, criando histórias na minha cabeça. Nenhuma delas é uma história real para contar; não há tal história. Se tanto, há um conjunto de condições possíveis para que a exposição possa emergir; a soma de uma miríade de conversas buscando construir momentos, gestos tentativos, tenteios”.

Assim como a própria exposição, o título do catálogo, tenteio, também é inspirado na obra do poeta amazonense Thiago de Mello, que completa 95 anos em 2021. Sobre a escolha do título da publicação, Paulo Miyada, curador adjunto da 34ª Bienal, afirma: “Em 1983, Thiago de Mello publicou Arte e ciência de empinar papagaio, um ensaio sobre essa prática ancestral, que segundo ele, alcançou inequívoco grau de elaboração entre jovens e velhos mestres de Manaus. Empinar papagaio é jogar com o vento, dançar com o intangível, arriscar-se em manobras como a trança, a peleja, o relo. Ou o tenteio, que consiste em puxar e soltar rapidamente a linha, fazendo a pipa oscilar no ar, testando seu peso, suspendendo o movimento, desviando a rota, despistando o adversário”.

A publicação pode ser acessada aqui .
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