Um protesto ambientalista interrompeu a visitação ao Museu de Belas Artes de Montreal (MMFA) na manhã do dia 19 de junho, quando um manifestante atirou tinta rosa à base de água sobre a pintura L’Hétaire (1901), de Pablo Picasso, protegida por vidro. A obra, pertencente ao período azul do artista espanhol e atualmente emprestada pela Pinacoteca Agnelli, de Turim, faz parte de uma exposição dedicada à marchand Berthe Weill. O próprio grupo responsável pela ação, o Last Generation Canada, registrou o momento, fotografou a pintura com a tinta escorrendo e divulgou as imagens em suas redes sociais.

Ativistas jogaram tinta rosa em uma obra de arte de Picasso protegida por vidro no Museu de Belas Artes de Montreal. (foto via Last Generation Canada)
Seguindo o site Hyperallergic, a ação foi acompanhada por um breve discurso de um dos manifestantes, identificado como Marcel, que denunciou a atual crise de incêndios florestais no Canadá, com mais de 200 focos ativos, sendo 83 fora de controle, segundo dados do grupo. A polícia de Montreal prendeu um homem de 21 anos, liberado posteriormente com a promessa de comparecer ao tribunal. Dois outros indivíduos, que filmaram a ação, não foram detidos. Em comunicado, o museu afirmou que a tinta era de fácil remoção e que, até o momento, não há indícios de danos à obra, mas uma análise mais detalhada está em andamento.
O diretor do MMFA, Stéphane Aquin, lamentou o episódio, destacando que o ato, embora motivado por causas ambientais, atingiu um patrimônio cultural sob responsabilidade da instituição para as gerações futuras. “Museus e artistas são aliados na luta por um mundo melhor”, afirmou. O grupo Last Generation Canada, por sua vez, reforçou o pedido ao governo canadense pela criação de uma Agência de Proteção contra Desastres Climáticos, além de criticar a responsabilidade de bilionários e empresas ligadas à indústria de combustíveis fósseis. O museu reabriu ao público no final da manhã, mas a pintura de Picasso permanece temporariamente fora de exibição.

