Em ação relâmpago na Fundação Magnani Rocca, na Itália, ladrões levam Renoir, Cézanne e Matisse – mas um quarto quadro fica pelo caminho, graças ao alarme
Foram apenas 180 segundos. Na noite de 22 de março, quatro homens mascarados invadiram a Fundação Magnani Rocca, instalada em uma vila nos arredores de Parma, e saíram com três obras-primas avaliadas em cerca de €9 milhões (US$ 10 milhões). O butim inclui Les Poissons (1917), de Renoir – a mais valiosa da leva, sozinha estimada em €6 milhões –, Still Life with Cherries (1890), de Cézanne, e Odalisque on the Terrace (1922), de Matisse. As duas últimas são obras sobre papel: aquarela e aguaforte, respectivamente. O roubo, revelado só neste domingo pela imprensa, foi tão rápido quanto cirúrgico.
Segundo o jornal La Repubblica, os ladrões arrombaram a porta principal da vila – conhecida como “Villa das Obras-Primas” – e chegaram a tocar uma quarta peça, que acabou abandonada. O motivo: o sistema de alarme disparou, acelerando a fuga. Em nota, a fundação destacou que o crime ocorreu “em menos de três minutos, não de forma improvisada, mas dentro de um esquema estruturado e organizado”, e que um prejuízo maior foi evitado “graças à ativação dos sistemas de segurança e à rápida intervenção da equipe interna, dos Carabinieri e da empresa privada de vigilância”.
As investigações estão a cargo dos Carabinieri de Parma e do esquadrão especializado na proteção do patrimônio cultural. A fundação, que abriga o acervo do crítico Luigi Magnani (com peças de Ticiano, Dürer, Rubens, Goya, Canova e De Chirico, entre outros), mantém seu horário normal e a exposição em cartaz – “Simbolismo na Itália” – segue até 28 de junho. O caso escancara uma tendência incômoda: nos últimos meses, museus europeus têm vivido uma onda de assaltos relâmpago. O mais espetacular foi o roubo diurno das joias da coroa no Louvre, em Paris – US$ 102 milhões levados em oito minutos, com direito a janela arrombada e cesto de caminhão. Até hoje, as joias não foram encontradas. A consequência, porém, foi imediata: em fevereiro de 2026, a diretora do museu, Laurence des Cars, pediu demissão. Agora, a Itália corre contra o tempo para que Renoir, Cézanne e Matisse não virem apenas números em um catálogo de perdas.


