Clima de boas vendas e interesse do público marcam os primeiros dias da ArtRio; veja as obras que mais chamaram atenção
POR LIEGE JUNG
Editora-chefe
Chegou mais uma ArtRio. Quem acompanha minhas colaborações por aqui sabe como gosto das feiras, contudo acontecendo ao mesmo tempo agora com qualquer curadoria sendo substituída pela intenção de vender. Estes movimentos comerciais permitem perceber, em poucos corredores, quais artistas estão despertando desejo, quais obras encontram compradores rapidamente e como o mercado está se comportando.
Na 16ª edição, que acontece na Marina da Glória, o clima me pareceu bastante positivo. A maioria dos galeristas com quem conversei estava animada com o ritmo das vendas e com o interesse do público.

© Alfredo Volpi.
Do ponto de vista comercial, me chamou atenção a grande quantidade de obras de Alfredo Volpi oferecidas em vários estandes. Estive recentemente buscando obras do artista para um colecionador que acompanho e me pareceu que os valores foram reajustados além do esperado para um artista que já teve um pico de preço lá por 2013 e que deveria, 13 anos mais tarde, estar galgando a lenta e constante escalada de preços esperada de um artista consolidado. Talvez por isso vemos mais gente interessada em vender do que comprar.
Por outro lado, quase não havia obras de Abraham Palatnik. Tenho percebido no discurso de alguns interessados em arte que não gostam de Palatnik um certo ranço porque o artista caiu no gosto das blogueiras leigas, um certo esnobismo muito comum, que não deveria desvalorizar a obra deste artista inigualável. Mas esta mudança de percepção aliada à alta dos preços recente me pareceu uma boa receita para um aumento da oferta, e não foi o que aconteceu. Está claro que a demanda acompanhou e o mercado está seco. É comprar ou desistir.
O trabalho que mais me chamou atenção foi o projeto solo de Chiara Banfi, apresentado em parceria entre a Galeria Vermelho e Silvia Cintra + Box 4. As novas aquarelas da artista, cuja pesquisa é guiada pela música, são permeadas de cor e brilho e, vistas de longe, lembram os fundos ornamentais das pinturas de Gustav Klimt. Não fui a única a gostar: quando cheguei ao estande, no final da tarde de quarta-feira, praticamente toda a apresentação já havia sido vendida. Uma rara Wanda Pimentel da série Envolvimentos também capturou o meu coração.

© Chiara Banfi.

© Chiara Banfi.

Wanda Pimentel. Preço: USD 450.000
Algumas obras dos muitos previews que recebi sequer chegaram aos estandes, vendidas por WhatsApp antes da abertura dos portões. Foi o caso de uma composição têxtil de Dani Cavalier, da Galatea, e de uma das telas de Gonçalo Ivo na Simões de Assis. Aliás, o artista também aparecia com três trabalhos antigos em diferentes galerias da feira, todos com preços sólidos, e um deles já não estava disponível no segundo dia.

© Dani Cavalier.
Outro aspecto que me chamou atenção foi a quantidade de obras que já tinham participado da feira SP-Arte. O crítico de arte Silas Martí, da Folha de S.Paulo, também observou esse movimento em sua análise da ArtRio. Para ele, o cenário revela um mercado mais cauteloso, no qual os colecionadores estão mais seletivos. Eu enxergo também uma reação a uma alta inesperada de preços na SP-Arte, que foi o principal tema da minha matéria sobre a feira em abril deste ano.

© Gonçalo Ivo.
Ainda é cedo para tirar grandes conclusões sobre o resultado da feira, mas minha impressão depois dos primeiros dias é boa. Há cautela, especialmente nos negócios de valores mais altos, mas também há compradores, estandes movimentados e obras encontrando seus novos donos. No fim, é justamente essa combinação que torna uma feira interessante: observar o que está sendo oferecido, o que está sendo procurado e, principalmente, aquilo que desaparece antes mesmo de termos tempo de voltar para olhar melhor.














